Ah, a escuta, verdadeira escuta! Quem de nós, hoje em dia, não gostaria de ser verdadeiramente ouvido? Pelos amigos numa roda, ou por alguém em particular, num tête-a-tête; pelas pessoas nos lugares, comércio, balcões de serviços públicos, quando precisamos de alguma coisa. Por nosso cônjuge, mais do que qualquer outro, e por nossos filhos. Às vezes parece que só Deus nos ouve, e olhe lá! Ele ouve, sim, e temos fé – mas não o sentimos.

É uma questão séria, a do diálogo e a da verdadeira escuta, nos tempos que correm, quando os celulares sugam nossa atenção. Mas, quando nossos filhos não nos ouvem, ou não nos obedecem, a causa está na verdade em outro lugar, e é de outra natureza. Por isso, guardando a profundeza do tema para ocasiões mais propícias, quero hoje tocar neste problema de um jeito específico e prático. Quero dar, às mães e aos pais, cinco dicas para que seus filhos os escutem, deem atenção ao que é dito, façam o que lhes é pedido. Vamos a isto.

Vejam, quando nossos filhos não escutam aquilo que pedimos, nosso primeiro impulso costuma ser repetir a ordem: uma vez, duas, três vezes, até que, finalmente, façam o que foi solicitado. Com o tempo, porém, podemos acabar nos perguntando por que eles não nos obedecem, quando talvez a primeira questão seja outra: será que eles realmente escutaram o que pedimos?

O primeiro aspecto do problema é material mesmo, muito básico, quase banal. Ora, é comum que as mães deem instruções aos filhos de um lugar distante, sem olhar para eles e sem verificar se estão, de fato, prestando atenção. Em geral, as crianças estão profundamente concentradas naquilo que estão fazendo. Se estão brincando de bola, estão envolvidas na brincadeira; se estão andando de bicicleta, estão concentradas na bicicleta; se estão assistindo a um filme, a atenção pode estar ainda mais absorvida. Assim, se a criança está entretida com alguma coisa de que gosta muito e, lá da cozinha, enquanto prepara a comida, a mãe grita: “Menino, vai tomar banho!”, a possibilidade de essa orientação não ser seguida é enorme. A criança pode simplesmente não ter escutado.