Conta-se que alguém certa vez maliciosamente questionou Freud sobre seu vício em charutos, indagando se o hábito compulsivo possuía algum significado oculto, como a fixação oral. O fundador da psicanálise teria dado uma resposta bem pouco freudiana:
Ora, meu caro, às vezes um charuto é apenas um charuto.

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Apesar da velha anedota, há ocasiões em que um charuto é bem mais do que um charuto. Lembro-me de um amigo que, há muitos anos, trabalhou para o PT e abandonou o partido depois de contemplar um salão forrado com as sobras de charutos cubanos consumidos pelos companheiros após uma noite de festa. A depender do contexto, o charuto pode simbolizar não apenas o poder, mas toda a maldade e a degradação humana a ele associadas.

Uma foto que circulou nas redes mostra Paulo Gonet, o chefe do Ministério Público do Brasil, saboreando um charuto em Londres, ao lado do banqueiro Daniel Vorcaro, aquele que viria a ser o personagem central da maior fraude bancária do país. Na fatídica sessão do STF da última terça-feira, Gonet negou possuir qualquer vínculo íntimo com Vorcaro, tendo apenas mantido um contato “brevíssimo e banal” com o fraudador. Mentiu diante do país inteiro.