No domingo (20), Berlim foi às urnas e o Die Linke, a extrema-esquerda alemã, tornou-se o maior partido com 25% dos votos, quase dobrando sua representatividade. O mérito é, em grande parte, de Elif Eralp, 45 anos, jurista e anticapitalista declarada, que agora busca se tornar a primeira alemã de origem turca a comandar a capital e, com toda a probabilidade, a primeira prefeita muçulmana de sua história.

Mas o cargo ainda não é seu. Berlim é um Estado federado e o Regierender Bürgermeister (Prefeito-Governador) precisa ser eleito pela assembleia municipal, onde o Die Linke ocupa 47 das 158 cadeiras. São necessários aliados, e os parceiros naturais são os Verdes, que estagnaram em 14,3% (26 cadeiras, uma queda de 4,1 pontos), e os Social-Democratas (SPD), com 12,1% (22 cadeiras). Somente se a negociação for bem-sucedida o triunfo se transformará em governo.

Assim, depois de Sadiq Khan em Londres e Zohran Mamdani em Nova York, chega a vez de Berlim. As três capitais têm em comum muito mais do que o peso econômico e cultural: prefeitos de extrema-esquerda, filhos de imigrantes, de fé muçulmana, com programas que combinam receitas econômicas do socialismo real e uma ambiguidade perigosa em relação ao islamismo e ao antissemitismo. Se Londres poderia ser um caso isolado e Nova York um experimento, Berlim confirma a tendência.

Eralp nasceu em Munique, em 1981, filha de exilados turcos. Cresceu entre Dortmund e Hamburgo, estudou Direito e trabalhou por muito tempo nos bastidores do partido como assessora de políticas jurídicas do grupo parlamentar no Bundestag, antes de chegar ao Parlamento de Berlim. Sua imagem é simples e marcante: batom vermelho, um pingente no pescoço com a palavra «Mietendeckel» (o teto para os aluguéis, que é sua pauta símbolo) e uma ostensiva identidade anticapitalista.