O Papa Leão XIV iniciou nesta sexta-feira (25) uma visita histórica de quatro dias à França com um discurso contundente no Palácio do Eliseu. Diante do presidente Emmanuel Macron, o pontífice alertou sobre os perigos de transformar avanços científicos em mercadorias e reforçou a responsabilidade coletiva na proteção da existência humana, desde o início até o seu fim natural, em um momento de debates éticos no país.

Quais foram as principais críticas feitas pelo pontífice sobre o uso da tecnologia?

O Papa Leão XIV expressou profunda preocupação com a tendência da sociedade de transformar a ciência e a tecnologia em ferramentas voltadas exclusivamente para o lucro financeiro, em vez de focar no progresso moral. Ele citou especificamente práticas como a manipulação genética, a barriga de aluguel e o comércio de órgãos humanos como exemplos desse desvio ético. Para o líder religioso, a humanidade corre o risco de criar um ‘paraíso das máquinas’ onde a responsabilidade individual é substituída pela obediência cega, ignorando que a ciência deve servir ao bem comum e não apenas ao mercado.

Como o papa se posicionou em relação às novas leis francesas sobre a eutanásia?

A visita ocorre pouco após a França legalizar o suicídio assistido e a eutanásia, tornando-se o quinto país europeu a permitir tais práticas. O papa foi enfático ao declarar que a proteção de toda vida humana é um dever que cabe a cada cidadão. Na visão católica, a eutanásia é a interrupção intencional da vida para aliviar a dor, enquanto o suicídio assistido envolve o próprio paciente tomando fármacos letais sob orientação médica. Ambas as práticas são rejeitadas pelo Vaticano, que defende o acompanhamento humano e espiritual em vez da organização da própria morte.

O que significa o conceito de secularidade mencionado no discurso?

O pontífice abordou a ‘laïcité’, termo francês para a separação entre Igreja e Estado. Ele explicou que uma secularidade autêntica não deve excluir a religião da esfera pública ou da educação, mas sim valorizá-la como um recurso educacional e ético. O papa defendeu que o Estado e as instituições religiosas devem unir forças em diálogo constante. Para ele, um cristão que atua no serviço público guiado por sua fé não deve ser visto como uma ameaça à unidade da nação, mas como alguém que contribui para o bem comum, garantindo que as decisões políticas respeitem a dignidade humana.