As grandes potências militares do Ocidente enfrentam um novo desafio estratégico diante do uso massivo de drones baratos em conflitos modernos, como o da Ucrânia. O custo desproporcional para abater essas aeronaves simples com mísseis milionários forçou a Otan, os EUA e a Europa a investir bilhões de dólares em tecnologias de defesa mais acessíveis e sustentáveis a longo prazo.

Qual é o principal problema econômico causado pelo uso de drones baratos?

O grande dilema é a conta que não fecha no campo de batalha. Enquanto um drone russo simples pode custar cerca de 12 mil dólares, os países da Otan chegam a disparar mísseis que valem 400 mil euros cada para abatê-los. Quando se soma o combustível dos caças e a manutenção, o prejuízo financeiro do defensor é gigante. Essa tática de saturação obriga o exército atacado a gastar seus estoques de armas caríssimas e sofisticadas contra ameaças feitas de compensado e espuma, gerando um desgaste financeiro e material que é muito difícil de manter durante uma guerra longa.

Como os Estados Unidos pretendem mudar sua frota de aeronaves não tripuladas?

O governo americano estabeleceu que cada pequeno grupo de combate deve ter acesso a drones baratos e descartáveis até o fim deste ano. Para isso, o Pentágono está fechando contratos para adquirir equipamentos como o Bumblebee V2, um drone interceptador que caça outras aeronaves no ar por menos de 10 mil dólares a unidade. A ideia é parar de usar mísseis convencionais contra alvos pequenos. Outra aposta é o LUCAS, um drone kamikaze de 35 mil dólares projetado para missões ofensivas, seguindo a lógica de produção em massa para garantir volume e baixo custo operacional.

Quais são as novas táticas de defesa que a Otan e a Europa estão adotando?

A estratégia agora é a defesa em camadas. Isso significa que as potências não vão mais usar a mesma arma para tudo. Sistemas caros como o Patriot ficarão reservados apenas para mísseis e alvos complexos. Para os drones pequenos, a aliança investirá 40 bilhões de dólares em tecnologias como guerra eletrônica, que interfere no sinal do aparelho, além de canhões e foguetes de baixo valor. O objetivo é criar uma base industrial no continente capaz de fabricar milhares de interceptadores simples na mesma velocidade em que eles são consumidos durante os combates diários.