A recente decisão do ministro Flávio Dino que liberou a publicação, nas redes sociais, de postagens insinuando que o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, poderia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil, reacendeu a guerra interna no Supremo Tribunal Federal (STF), deflagrada no início do mês com a iniciativa de André Mendonça de investigar o colega Alexandre de Moraes.

A decisão de Dino derrubou uma liminar proferida por Mendonça, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que, acolhendo um pedido de Flávio Bolsonaro, determinou a remoção de conteúdos que sugeriam um ataque deliberado do candidato, que é evangélico, a símbolos católicos, o que ele e a campanha do PL classificaram como “fake news”.

Um novo capítulo da crise interna no STF surgiu em razão, mais uma vez, da forma como a decisão de Dino foi proferida. Em regra, decisões individuais de um ministro do TSE são contestadas, inicialmente, por meio de recursos internos, a serem julgados no plenário da Corte Eleitoral. Quando se esgotam os recursos possíveis no TSE, a parte contrariada pode apelar ao STF por meio de recurso extraordinário, quando alguma questão constitucional da decisão eleitoral merece uma rediscussão.

Como os dois tribunais são integrados, em parte, pelos mesmos ministros (dos sete ministros titulares do TSE, três são do STF, incluindo o presidente), há uma tradição de respeito às decisões colegiadas da Corte Eleitoral antes de uma manifestação do STF.