A consolidação da maioria de direita no Senado e o favoritismo de Flávio Bolsonaro na corrida presidencial criaram a impressão de que o impeachment de Alexandre de Moraes está garantido em 2027. Foram passos importantes, mas o caminho até a destituição do ministro é longo e ainda enfrentará dura oposição por parte do STF.

Os aliados de Moraes no tribunal já entenderam o recado das urnas e sabem que os senadores eleitos pelo PL devem a seus eleitores o processo contra o ministro. Mas resistem e agora tentam negociar, oferecendo em troca o apoio a mudanças no STF que, em tese, reduziriam a capacidade de os ministros interferirem em leis aprovadas pelo Congresso ou em políticas do governo.

Negociações políticas envolvendo ministros do STF fora dos autos judiciais não encontram amparo legal e são um dos fatores mais graves que levaram à atual crise institucional brasileira.

A resistência ao impeachment vem do medo dos ministros de que outros, depois de Moraes, também virem alvo. No Senado, o julgamento exporia publicamente os atos do ministro não só no caso Master, mas também no Inquérito das Fake News. Os autos sigilosos viriam à tona, revelando o aval de outros magistrados a medidas tidas como abusivas pela oposição, o que poderia levá-los a acusações semelhantes de crime de responsabilidade. Estaria aberta a porta para novos processos.