Jerry Seinfeld reclamava da operadora de celular no palco do Chicago Theatre, na noite de 9 de outubro, quando uma espectadora o interrompeu aos gritos para acusá-lo de fazer piada enquanto palestinos eram mortos com dinheiro do contribuinte americano. Seinfeld prometeu descobrir quanto um dos manifestantes tinha pagado pelo ingresso para doar o valor a Israel e, sob aplausos, avisou em seguida que ia ficar com o dinheiro. Desde os ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023, é assim que o comediante judeu, de 72 anos, responde a quem o interrompe para cobrar uma posição sobre Gaza: com piada, sem pedir desculpa.

Enquanto a segurança retirava a manifestante, Seinfeld dançou no palco e disse, em deboche: “Sou racista. É um genocídio, eu curto.” A frase circulou nas redes sem contexto, e o site de notícias The New Arab a levou ao título como se fosse uma confissão.

Nada de abraços, nada de lições

Seinfeld estreou na NBC em 1989 e, na quarta temporada, passou a fazer piada consigo mesma. Os personagens Jerry e George tentam vender à própria emissora um programa “sobre nada”, e a definição acabou valendo para a série real. Para que o nada funcionasse, Larry David, cocriador do programa, deu aos roteiristas uma regra: “nada de abraços, nada de aprendizado”. Os quatro protagonistas podiam mentir e passar a perna nos amigos, mas nenhum episódio terminava com um abraço ou uma moral.

Foi com essa regra que a série tratou, em 1993, do medo de parecer preconceituoso. Em The Outing, uma jornalista conclui por engano que Jerry e George formam um casal. Os dois passam o episódio negando, aflitos, e emendam a cada negativa a mesma ressalva: “Não que haja algo de errado nisso.” A frase entrou no vocabulário americano.