A forma como o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o cancelamento dos passaportes do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), logo após a proclamação oficial do resultado da eleição presidencial, levantou suspeitas no meio jurídico sobre a real motivação da medida. Entre juristas, o sigilo da decisão, a rapidez do pedido da Polícia Federal (PF) e a fragilidade dos argumentos reforçam a tese de que o parlamentar é vítima de perseguição política.

Essa avaliação foi ratificada na noite de terça-feira (27) pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, após reunião no Partido Liberal (PL) para discutir a viagem do parlamentar aos Estados Unidos. Flávio deixou o país com a família após queixar-se da intimação para entregar os passaportes, ocorrida logo depois de uma visita ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.

Segundo revelou o jornal O Globo, a PF assinou o pedido a Moraes para recolher os passaportes de Flávio às 21h16 de domingo (25), após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proclamar o resultado do pleito. Na mesma noite, o ministro acolheu a solicitação, determinou o cancelamento dos documentos e proibiu o senador de manter contato com o advogado Willer Tomaz.

Ambos são investigados em inquérito recente da PF, sob relatoria de Moraes, que apura suspeita de lavagem de dinheiro. O pedido da corporação baseia-se em dois elementos: a suspeita de que Flávio figurava como “usuário master” de uma conta mantida por Tomaz em Portugal; e a declaração do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, em 23 de outubro: “Se meu irmão não ganhar [a eleição], sou a favor que ele deixe o país”.