Um pressuposto quase que comum e aceito pela maioria daqueles que se dedicam ao estudo da filosofia é o fato de que não há nenhum absurdo em afirmar que ela nasceu grande. Entendamos que, já nos seus primórdios, os grandes temas nos quais o Ocidente até hoje se debruça foram traçados e, em grande parte, debatidos.

Pois bem, façamos um pequeno salto temporal e trabalhemos com uma das frases mais marcantes – e mais mal interpretadas – de Sócrates: o famoso “só sei que nada sei”, frase que representa o grande marco da maiêutica enquanto método na filosofia.

No diálogo platônico Teeteto, Sócrates traça em linhas gerais as observações que encabeçaram o seu método: o trabalho que era realizado por sua mãe, que era parteira – até aqui, nada que os alunos não são ensinados no ensino médio – e depois elucida algumas características das boas parteiras: o ato de já ter parido e a esterilidade atual para parir.

A observação primordial e intuitiva que aqui se pode traçar é que Sócrates foi parido e que, se sua mãe pôde parir enquanto parteira e ao ato de parir é atribuído um viés filosófico, é possível conceber um parto de ideias. O segundo ponto é o de que, se Sócrates se acredita apto a parir alguma ideia, ele o faz porque já havia pensado sobre os temas que agora ele levava os outros a pensar. Portanto, Sócrates, no ato de afirmar que nada sabia, realizava um ato de humildade, pois, já tendo trabalhado e pensado sobre os mais variados temas, estava apto a provocar o pensamento e levar à geração de ideias próprias em seus interlocutores, respeitadas suas características e possibilidades de pensamento. Sócrates se torna parteiro de ideias porque já tinha parido as suas.