Um líder político brasileiro sente que está sendo perseguido pelo governo de turno. Para evitar sua prisão, conta com a ajuda do governo norte-americano para cruzar o equador rumo à “Terra da Liberdade”. Sua decisão de viajar para os Estados Unidos é reconhecida por seus pares como um importante passo em nome dos direitos humanos. O caso descrito até parece recente, mas ocorreu no fim dos anos 1970 envolvendo Leonel Brizola, um dos luminares da esquerda no Brasil. 

Esta mesma esquerda não economiza elogios a Brizola, e trata o político como um dos principais símbolos do trabalhismo nacionalista. O ex-governador gaúcho é costumeiramente lembrado como um adversário da ditadura militar, defensor das reformas de base e crítico da influência dos Estados Unidos na América Latina. Mas essa mesma memória talvez falhe quando o assunto for a saída dele do Uruguai em direção aos EUA sob ajuda direta do governo de Jimmy Carter. 

A operação de retirada de Brizola envolveu diretamente a Casa Branca, a Embaixada dos Estados Unidos em Montevidéu e até a Agência Central de Inteligência norte-americana, a famosa CIA. E tudo isso sob a condescendência da esquerda anti-imperialista, na época e agora. 

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