Com sua escapada espetacular para os Estados Unidos na calada da noite de terça-feira passada, que deixou o ministro Alexandre de Moraes e a Polícia Federal no vácuo, tentando entender até agora como ele conseguiu passar incólume pelos controles de fronteira, Flávio Bolsonaro se tornou alvo de uma saraivada de críticas de seus adversários e até de alguns de seus aliados.

A onda de reprovação a Flávio – turbinada pelo presidente Lula, pelo PT, por sua tropa de choque e pelos isentões que posam de independentes, mas na hora h fazem o L “pela democracia”, com apoio da mídia amiga e militante – parecia produzida sob medida para desmoralizá-lo perante seu eleitorado, que acabava de lhe conferir quase 60 milhões de votos e tentava digerir o resultado adverso e inesperado nas urnas.

Seus opositores o chamaram de “fujão”, “amarelão”, “pipoqueiro”, “covarde” e que tais. Disseram que a viagem foi “uma fuga patética para os braços de Donald Trump”, presidente dos EUA, que lhe deu guarida, “uma evasão rocambolesca” e que ele “fez seus eleitores de palhaços”.

A narrativa propagada por aí, que varreu os veículos tradicionais de comunicação do país como um tsunami, parecia destinada também a abafar qualquer tentativa de mostrar que sua escapada foi um ato de autodefesa contra a perseguição e os abusos desferidos contra ele (e tantos outros representantes da direita) pelo ministro Alexandre de Moraes e pela Polícia Federal.