O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não discute cortes efetivos de gastos públicos, mas medidas para desacelerar o crescimento das despesas. A avaliação é de Christopher Garman, diretor-executivo da consultoria Eurasia Group, que apontou a falta de disposição política para enfrentar o avanço dos gastos como um dos principais entraves ao ajuste fiscal.

Em entrevista à CNN Brasil, na quinta-feira (5), Garman afirmou que o debate dentro do governo está concentrado em alternativas para conter o ritmo de expansão das despesas, e não em reduzi-las. “Não existe um debate de corte de gasto”, declarou.

Segundo o executivo, as discussões envolvem medidas que podem alterar regras de crescimento de despesas obrigatórias, como os pisos constitucionais de saúde e educação e os critérios de concessão do Benefício de Prestação Continuada (BPC).

A proposta retoma, em parte, iniciativas apresentadas pelo ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, há cerca de dois anos. Na ocasião, mudanças nas regras de indexação dessas despesas enfrentaram resistência política e não avançaram.