O presidente de Israel, Isaac Herzog, designou oficialmente neste sábado (7) o ex-chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa e líder oposicionista Gadi Eisenkot para liderar as negociações destinadas a formar um novo governo no país.
A decisão ocorre na esteira de um pleito legislativo que deixou o atual primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, sem a maioria parlamentar necessária para assegurar a continuidade de seu mandato.
A formalização da indicação ocorrerá em cerimônia prevista para as 17h deste domingo (8) no horário local, ao meio dia pelo horário de Brasília.
A partir do ato oficial, Eisenkot terá um prazo legal de 28 dias para consolidar acordos partidários e estruturar um gabinete viável perante o Knesset, o Parlamento unicameral israelense.
Caso o impasse persista ao final desse intervalo, a legislação faculta a Herzog a possibilidade de prorrogar o prazo por mais 14 dias antes de devolver a decisão ao plenário ou convocar novas eleições.
Logo após a comunicação da presidência, Eisenkot declarou em suas redes sociais que atuará pela união institucional em um momento delicado para a segurança nacional.
“Este é o momento de formar um governo de emergência nacional. Farei tudo o que estiver ao meu alcance para garantir que estejamos à altura da responsabilidade”, afirmou o dirigente do partido Yashar no X.
Apoio de legendas árabes e xadrez parlamentar
A escolha de Herzog foi viabilizada após uma reviravolta nas consultas políticas, concluídas na sexta-feira (6), quando as principais forças árabes-israelenses decidiram recomendar o nome do ex-militar ao chefe de Estado.
O movimento garantiu a Eisenkot o suporte declarado de 67 dos 120 deputados do Parlamento — superando o piso mínimo de 61 cadeiras exigido para a aprovação de um novo governo.
O pleito legislativo realizado em 27 de outubro aprofundou a fragmentação partidária do país.
O Likud, sigla liderada por Netanyahu, foi a legenda mais votada individualmente e elegeu 27 deputados. Contudo, a coalizão formada por partidos da direita tradicional, sionistas religiosos e agremiações ultraortodoxas somou apenas 53 assentos, volume insuficiente para reter o poder. O bloco direto de oposição comandado por Eisenkot havia obtido 48 vagas.
O equilíbrio de forças foi alterado pelo desempenho sem precedentes dos partidos que representam os cidadãos árabes-israelenses — contingente que compõe cerca de 21% da população do país.
Embaladas por um comparecimento recorde às urnas, as agremiações conquistaram 19 assentos: 11 pela Lista Conjunta e 8 pela legenda islâmica moderada Ra’am.
Embora o endosso dos 19 congressistas árabes tenha sido determinante para conferir a prerrogativa formal a Eisenkot, a sustentação do futuro governo permanece incerta.
O líder oposicionista já declarou publicamente que não pretende incorporar ministros dos partidos árabes em seu gabinete ministerial, o que exigirá dele composições complexas com legendas de centro e de direita moderada para manter o apoio em votações decisivas.
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Perfil militar e histórico de divergências com Netanyahu
Filho de imigrantes marroquinos, Eisenkot, de 66 anos, poderá se tornar o primeiro premiê de Israel pertencente à comunidade mizrahi, segmento de judeus com raízes históricas no Oriente Médio e no Norte da África.
Reconhecido pelo perfil discreto e pouco afeito à exposição midiática, o general da reserva ingressou na atividade político-partidária somente em 2022.
Após os ataques perpetrados pelo grupo terrorista Hamas em 7 de outubro de 2023, Eisenkot aceitou integrar o gabinete especial de guerra comandado por Netanyahu, mas deixou a estrutura meses depois para retomar a oposição.
A condução dos combates na Faixa de Gaza e a estratégia de longo prazo do premiê tornaram-se alvos centrais de suas críticas. O ex-comandante militar também vivenciou o conflito de forma pessoal: seu filho e dois de seus sobrinhos morreram em combate em operações dentro do enclave palestino.
Durante sua carreira nas Forças Armadas, Eisenkot foi o responsável por consolidar a chamada “Doutrina Dahiya”, tática militar formulada durante a guerra de 2006 contra o Hezbollah que prevê o emprego de força assimétrica e contundente contra centros operacionais adversários.
Na arena civil, todavia, o líder do Yashar tem sustentado posições duras contra episódios de violência de colonos israelenses na Cisjordânia e manifestado firme oposição aos aliados radicais de Netanyahu, como Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich, cujos discursos geraram atritos diplomáticos com parceiros ocidentais.

















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