As novas medidas do ministro Alexandre de Moraes contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que incluem a proibição de divulgar cartas com teor eleitoral e a suspensão de visitas de aliados políticos, contêm problemas de lógica e criam um obstáculo jurídico para a defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato a presidente, afetado pelas decisões.

Segundo juristas consultados pela Gazeta do Povo, Moraes ampliou, sem base legal sólida, restrições impostas em contexto e com motivações diferentes, de outro momento processual. Além disso, atingiu Flávio sem dar a ele chance de contestar.

O primeiro problema está relacionado à mudança no fundamento da proibição, decretada em julho do ano passado, de utilização das redes sociais, inclusive por intermédio de terceiros. Na época, Bolsonaro ainda não estava condenado e sofreu essa restrição porque Moraes considerava que suas postagens poderiam instigar o governo dos Estados Unidos a retaliar os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), com sanções da Lei Magnitsky, que julgariam o processo criminal da tentativa de golpe.

A medida, assim, teria como justificativa a preservação da independência do Judiciário contra uma suposta tentativa de coagir os ministros por pressão estrangeira.