O ministro Mauro Vieira, das Relações Exteriores, classificou como “ríspidas, grosseiras e inaceitáveis” as declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, durante a convenção nacional do PL realizada no último sábado (25) e afirmou que o governo brasileiro cobrará explicações formais sobre as críticas. Apesar da reação, o chanceler descartou, por enquanto, a adoção de medidas diplomáticas mais severas contra o país vizinho.
Segundo Mauro Vieira, o governo brasileiro considera grave a postura adotada por Milei em território nacional e espera esclarecimentos das autoridades argentinas.
“Nós precisamos de explicações do governo argentino sobre o motivo de o presidente da Argentina ter vindo ao território brasileiro fazer esse tipo de manifestação e declarações ríspidas, grosseiras e inaceitáveis”, afirmou em entrevista à TV Globo.
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O chanceler reforçou que, mesmo diante da tensão, a prioridade é preservar os canais de diálogo entre os dois países.
“A retirada de embaixadores é um passo de grande gravidade. Dentro desse contexto de preservação, nós não vamos fazer isso agora. Todo o episódio é extremamente grave e inaceitável. Mas nós temos que trabalhar pelo entendimento entre as nações, e a diplomacia é feita disso, de conversas”, completou.
Apesar disso, o Itamaraty convocou o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para transmitir a “repulsa” do governo brasileiro pelas declarações de Milei e cobrar explicações sobre sua conduta durante a visita ao país. Paralelamente, o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, também foi chamado para prestar esclarecimentos sobre o andamento das relações bilaterais.
Durante um discurso de cerca de meia hora, em espanhol, Javier Milei chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “presidiário” e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), como “lixo careca”. O presidente argentino também afirmou que a América Latina vive um avanço de governos de direita e relacionou a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro a esse movimento político.
Apesar do desgaste diplomático, Brasil e Argentina mantêm uma das principais parcerias econômicas da região. A Argentina é atualmente o terceiro maior parceiro comercial brasileiro, atrás apenas de China e Estados Unidos.
No último ano, as exportações brasileiras para o mercado argentino somaram US$ 18,1 bilhões, avanço de 31,4% em relação ao ano anterior, elevando a participação do país vizinho para 5,2% das exportações brasileiras, o maior percentual desde 2018. Os principais setores beneficiados foram:
- Automotivo: com destaque para carros de passeio, veículos de carga, autopeças e acessórios;
- Indústria de transformação: impulsionada pelo aumento da demanda argentina e que contribuiu para o crescimento das exportações brasileiras do setor.
O aumento das vendas para a Argentina também ajudou a reduzir parte dos impactos provocados pela desaceleração econômica e pelo novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos.

















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