
A decisão do ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que suspendeu a campanha presidencial de Renan Santos (Missão) provocou reações distintas entre candidatos.
Enquanto alguns saíram em defesa do candidato e criticaram a medida, outros fizeram avaliações diferentes sobre a atuação da Justiça Eleitoral e os possíveis efeitos políticos do episódio.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, se manifestou sobre o caso. Ele afirmou esperar que a candidatura de Renan seja restabelecida e comparou a situação com o bloqueio das redes sociais de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Espero que o candidato Renan Santos restabeleça sua candidatura. O Presidente Jair Bolsonaro está com suas redes sociais bloqueadas há mais de um ano e a censura não pode mais ser banalizada no Brasil!”, escreveu Flávio no X.
O ex-governador de Minas Gerais e candidato à Presidência pelo Novo, Romeu Zema, manifestou solidariedade a Renan e criticou a decisão de Toffoli.
“Discordo em muitos pontos do Renan, mas o que o Toffoli acaba de fazer é um absurdo. Não ficarei calado por ele ser um concorrente. O buraco é muito mais embaixo. Não existe democracia que se sustente dessa forma, com um Supremo já desgastado por diversas decisões, inquéritos e esquemas que só mancham a instituição e o Brasil mundo afora. Chega de intocáveis”, escreveu Zema no X.
O Novo também criticou a decisão de Toffoli. Em publicação nas redes sociais, o partido afirmou que “não há ameaça maior à nossa democracia do que ministros que abusam do poder”.
Na mesma manifestação, a legenda comparou a situação de Renan com a homenagem feita ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o carnaval.
“Enquanto isso, Lula fez campanha antecipada com um desfile no carnaval do Rio, sem sofrer qualquer consequência”, afirmou o partido.
Críticas citam Lula e aplicação das regras eleitorais
O deputado federal Mauricio Marcon (PL-RS) também se manifestou sobre o episódio.
Em publicação nas redes sociais, o parlamentar sugeriu que a decisão poderia fazer parte de uma estratégia política relacionada ao presidente Lula.
“Lula prometeu fazer o diabo para vencer no 1º turno, e o plano começa a ser executado com a não homologação da candidatura de Renan Santos (Missão) à presidência”, escreveu o deputado no X.
Já a deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) defendeu a decisão de Toffoli.
Em publicação nas redes sociais, afirmou que o ministro identificou uma “omissão estratégica” da campanha de Renan ao não informar diversos perfis usados nas redes sociais.
Para Sâmia, a medida não configura censura, como sustenta o Missão, mas revela uma suposta tentativa de burlar as regras eleitorais.
“Isso só revela que eles operam sob a lógica de máfia digital, burlando as nossas regras eleitorais”, escreveu.
O advogado e candidato a deputado federal pelo Novo, Jeffrey Chiquini, também apoiou a decisão do TSE e rejeitou a alegação de censura feita pelo Missão.
Em vídeo publicado nas redes sociais, ele chamou Renan Santos de “Lula da geração Z” e afirmou que o candidato e o partido seriam uma “farsa”.
Segundo Chiquini, Renan tentou driblar as regras eleitorais ao não cadastrar no TSE todos os perfis utilizados na campanha.
Chiquini também disse que a estratégia permitiria a Renan escapar das regras aplicadas aos demais candidatos na distribuição de conteúdo pelas redes sociais.
“Nós de direita temos que primeiro dar exemplo e respeitar as regras”, declarou.
Ao comentar o futuro da disputa presidencial, Chiquini afirmou ainda que “o próximo presidente do Brasil se chama Flávio Bolsonaro” e disse que Renan teria surgido para “atrapalhar o Flávio”.
Janaína Paschoal questiona proporcionalidade da medida
A candidata a deputada federal por São Paulo Janaína Paschoal (PP) considerou a medida desproporcional.
Em publicação nas redes sociais, afirmou que eventuais irregularidades na indicação dos perfis deveriam ser corrigidas sem impedir a campanha de Renan.
“Se houve erro com relação à indicação de um perfil, que se determine a regularização e, eventualmente, aplique uma punição”, escreveu.
Para Janaína, a suspensão da propaganda eleitoral e da participação em debates “atinge a democracia” e não afeta apenas Renan e o Missão, mas o próprio processo eleitoral.
Ela ressaltou que não pretende votar em Renan no primeiro turno. “Mas o silêncio, diante de tamanha intervenção, não atinge apenas o candidato e seu partido, atinge o pleito!”, afirmou.
Decisão de Toffoli alega irregularidades em perfis
A decisão de Toffoli está relacionada à lista de perfis usados pela campanha de Renan Santos na internet.
A chapa apresentou o pedido de registro da candidatura ao TSE em 7 de agosto, mas só 12 dias depois acrescentou 18 contas que usaria na divulgação da campanha.
A legislação eleitoral exige que candidatos comuniquem à Justiça Eleitoral quais canais digitais serão usados para propaganda.
Diante da inclusão posterior das contas, o ministro interrompeu a análise do registro para verificar os dados apresentados e dar à defesa do Missão a oportunidade de prestar esclarecimentos.
A relação inclui as contas pessoais de Renan no Instagram, TikTok, YouTube e Facebook, além de páginas ligadas à sua candidatura, entre elas “Onça Viral”, “Multiverso Amarelo” e “Jaguatirica Hub”.
Renan atribui decisão à retaliação
A decisão de Toffoli atingiu a propaganda eleitoral digital da chapa, os repasses do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) e a participação de Renan e de seu vice, Aroldo Medina, em debates. A medida não retirou definitivamente o candidato da disputa presidencial.
O registro da candidatura continua em análise no TSE, e a defesa de Renan pretende recorrer. A Procuradoria-Geral Eleitoral havia se manifestado pelo deferimento da candidatura antes da decisão de Toffoli.
Renan classificou a medida como “ilegal” e “persecutória” e afirmou que ela seria uma retaliação pelas manifestações que organizou contra Toffoli no contexto das suspeitas relacionadas ao Banco Master.
Renan afirmou que promoveu quatro manifestações contra o ministro ao longo do último ano e relacionou os protestos à decisão que atingiu sua campanha.
“Curiosamente, eu convoquei também quatro manifestações nesse último ano contra o senhor Dias Toffoli, contra o envolvimento não apenas dele, mas de todas essas pessoas no escândalo do Banco Master. As manifestações tomaram as ruas de São Paulo quatro vezes. […] Estou pagando o preço por ter defendido o que eu defendi. Eu sei o que aconteceu”, afirmou Renan em vídeo.
O candidato também negou irregularidades no registro dos perfis utilizados pela campanha e disse que o problema teria ocorrido por uma falha técnica no sistema do TSE.

















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