
A produção de alcachofra no Brasil é um mercado altamente concentrado e localizado no interior paulista. Apenas uma empresa familiar, de origem imigrante, responde por cerca de 90% das vendas no país. O cultivo ocorre em apenas 200 hectares divididos entre Piedade, Ibiúna e São Roque, sem volume para exportação, o que torna a hortaliça um item exclusivo do mercado interno e do turismo regional.
Como uma única família conseguiu dominar o mercado brasileiro de alcachofra?
A liderança absoluta pertence à família Miyazaki, que atua no setor há mais de 60 anos no município de Piedade, em São Paulo. Atualmente sob a marca Saibai, o negócio está na quarta geração e produz cerca de 20 mil caixas por ano. O pioneirismo dos imigrantes japoneses e italianos permitiu o desenvolvimento de uma variedade com coloração roxa, que se tornou a preferência do consumidor brasileiro, diferenciando-se dos tipos cultivados no exterior. Esse domínio foi construído pela persistência em aprender, ao longo de décadas, as técnicas ideais de adubação e manejo em solo nacional.
Por que é tão difícil para novos produtores entrarem nesse setor agrícola?
A alcachofra é considerada uma das culturas mais exigentes do hortifruti, impondo barreiras naturais e técnicas severas. Ela requer um clima ameno, irrigação constante sem encharcamento, solo com excelente drenagem e estações do ano bem definidas. Além disso, a planta demanda um cuidado manual intensivo e mão de obra qualificada, que é escassa e possui custo elevado. Esses fatores, somados à necessidade de um conhecimento prático acumulado por gerações sobre as variações do clima e do solo, fazem com que apenas cerca de 50 produtores sustentem toda a cadeia produtiva no país.
Qual é o impacto econômico e turístico da alcachofra na região de Piedade?
O município de Piedade transformou a dificuldade do cultivo em uma identidade econômica poderosa, recebendo oficialmente o título de Capital Nacional da Alcachofra em 2025. O setor mobiliza diretamente mais de mil trabalhadores e impulsiona o turismo gastronômico entre os meses de julho e novembro. A prefeitura criou um roteiro específico que atrai visitantes para dezenas de estabelecimentos, onde a iguaria é servida de formas variadas, como em pastéis, risotos e cremes. Esse movimento ajuda a sustentar o comércio local mesmo fora da janela de safra, com o uso de conservas e produtos processados.
Como funciona o ciclo de colheita e a distribuição dessa hortaliça no Brasil?
A safra brasileira normalmente se inicia em julho e pode se estender até novembro, sendo possível antecipar o ciclo com hormônios naturais. A planta é comercializada predominantemente fresca, incluindo o botão floral e parte da haste, abastecendo feiras selecionadas, redes de varejo voltadas ao público de maior poder aquisitivo e restaurantes especializados. A distribuição para outros estados ocorre principalmente via Cooperativa Hortifruti Holambra. Já o coração da alcachofra é processado em menor escala para conservas, mercado que ainda enfrenta a concorrência direta do produto importado.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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