A possibilidade de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) convocar o Conselho da República expõe uma mudança de tratamento político em relação ao órgão previsto na Constituição. Em 2021, quando o então presidente Jair Bolsonaro (PT) anunciou que pretendia reunir o colegiado em meio à crise com o Supremo Tribunal Federal (STF), integrantes da esquerda trataram a iniciativa como parte de uma ofensiva golpista contra as instituições. Agora, diante da crise entre o governo, a Polícia Federal e o STF, um dos principais coordenadores da campanha de Lula defendeu que o petista convoque o mesmo conselho para discutir a situação.

O Conselho da República é um órgão superior de consulta do presidente previsto na Constituição. Entre suas atribuições estão opinar sobre intervenção federal, estado de defesa, estado de sítio e questões relevantes para a estabilidade das instituições democráticas. O colegiado, no entanto, não tem poder para, sozinho, decretar nenhuma dessas medidas. 

Durante os atos de 7 de setembro de 2021, Bolsonaro anunciou que pretendia reunir o Conselho da República. “Amanhã estarei no Conselho da República juntamente com ministros para nós, juntamente com presidente da Câmara, do Senado e do Supremo Tribunal Federal, com esta fotografia de vocês, mostrarmos para onde nós todos devemos ir”, afirmou na oportunidade. 

Naquele momento, o país vivia uma escalada da tensão entre Bolsonaro e o STF, com manifestações de apoiadores defendendo, entre outras pautas, o impeachment do ministro Alexandre de Moraes.