A atividade de inteligência, uma das ferramentas da Polícia Federal (PF), está no centro da crise entre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e André Mendonça. Segundo analistas, ações recentes de Moraes mostraram como o recurso, que deveria ser usado só para combater o crime organizado, pode ser instrumentalizado para transformar a PF em uma polícia política, destinada a proteger uma estrutura de poder.

A existência de setores de inteligência dentro da PF não é, por si só, um problema. Eles são parte do Sistema Brasileiro de Inteligência, comandado pelo Gabinete de Segurança Institucional da Presidência. Em teoria, essa estrutura serve para defender o Estado de ameaças e está presente também nas Forças Armadas, em ministérios, órgãos federais e especialmente na Abin, a Agência Brasileira de Inteligência.

Dentro da PF, o papel da inteligência é antecipar movimentos de organizações criminosas, identificar conexões entre investigados, cruzar informações e subsidiar investigações complexas.

A atividade de inteligência não precisa produzir provas tão robustas como as usadas no sistema legal. Por isso, suas descobertas e análises de cenário são usadas para orientar decisões dos policiais, mas não para fundamentar investigações e processos criminais.