No final de agosto, os bancários brasileiros levaram à mesa de negociação salarial a pauta de sempre — com reajuste, participação nos lucros e outras questões trabalhistas. Mas, entre as reivindicações, aparecia um item que parece saído do vocabulário da cultura woke: o fim do “assédio algorítmico“.

A confusão faz sentido. À primeira vista, a expressão sugere que as máquinas passaram a cometer abusos, perseguir ou humilhar os profissionais. O termo, no entanto, diz respeito ao uso de sistemas automatizados para cobrar metas e monitorar a produtividade.

Quando realizada por algoritmos, essa exigência pode ser incessante, direcionada para cada funcionário e pouco transparente. Para os críticos do modelo, é justamente a intensidade que caracteriza o “assédio”.

O problema é que pressão e assédio não são sinônimos — e ninguém definiu ainda onde termina um e começa outro. E o pior: assim como tantos outros problemas do mundo virtual, a discussão vem acontecendo em bolhas restritas, cercada de jargões técnicos e distante de um debate público mais amplo.