
O Brasil está a menos de três semanas do primeiro turno e o que deveria ser um debate sobre economia, segurança e o tamanho do Estado virou um circo institucional protagonizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A crise que tem Alexandre de Moraes no epicentro, alimentada pelas mensagens de Daniel Vorcaro e pelos contatos com filhos de ministros, capturou a campanha. Enquanto candidatos deveriam falar de proposta, o país assiste a uma Corte que há tempos deixou de ser o Poder Judiciário para virar protagonista político, relator, investigador e, quando convém, juiz da própria conduta.
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A sessão que foi um “show de horrores” expôs o que a Gazeta do Povo e parte da imprensa mais honesta já denunciava: degradação institucional total. Pedido de vista, discussão interminável sobre relatoria, ministros se acusando de viés eleitoral e o presidente do STF tentando administrar o fogo que o próprio tribunal ateou. Chicana, em uma palavra.
A Transparência Internacional falou em degradação. O Congresso, tarde demais, volta a falar em mandato para ministro, fim de decisão monocrática e regras para relatórios de inteligência. Depois de anos de inquéritos eternos e poderes concentrados, descobriram que o problema existe. Antes tarde do que nunca!
O eleitor que lê Gazeta do Povo ou simplesmente observa a realidade já percebeu a verdade: a ameaça está na fusão entre aparelhamento petista, seletividade judicial e avanço do crime
Lula tenta se descolar de Moraes – “não fui eu quem indicou” – ao mesmo tempo em que defende o ministro do STF como salvador da democracia e pede voto para José Dirceu como “reparação histórica”. A mesma turma que transformou o Mensalão em detalhe agora vende o retorno do cassado como justiça. Haja inversão!
A campanha petista tenta associar Flávio Bolsonaro a Vorcaro, ignorando as impressões digitais lulistas em todas as cenas do crime. O método é velho: quando o escândalo chega perto demais, muda-se o foco para o adversário. O governo ainda prepara mais um pacote para “aliviar o endividamento das famílias”, clássico de quem gasta primeiro e depois descobre que o brasileiro está no vermelho.
As pesquisas mostram o que o eleitor já sente na pele. A última pesquisa Atlas/Intel (Registro TSE BR-06221/2026) aponta Lula com 44,1% no primeiro turno e Flávio com 41,7%; no segundo turno o senador aparece com 47,2% contra 46,8% do petista. O presidente é desaprovado por 53,6%. Empate técnico no segundo turno e rejeição alta não são acaso. Depois de anos de polarização, o eleitor vê o mesmo filme: Estado inchado, crime organizado avançando e um Judiciário que escolhe seus inimigos. Flávio herda o sobrenome e o ódio do sistema; Lula herda o desgaste de quem já governou demais, e com péssimos resultados.
Enquanto o Planalto fala em soberania e contesta acusações de Donald Trump sobre o Brasil ter virado rota da cocaína, a polícia descobre que o PCC controlaria 12 das 22 empresas de ônibus de São Paulo. O ex-presidente da Câmara Municipal, Milton Leite, é citado como operador. Operação com 16 mandados de prisão. O crime organizado não espera a eleição. Ele já administra pedaço do transporte público da maior cidade do país. Segurança pública continua sendo tratado como discurso de campanha, não como prioridade de Estado.
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No INSS, buscas contra senador e prisão do número dois da Previdência. No Ministério da Cultura, o TCU aponta R$ 22 bilhões em contas sem fiscalização decente. O padrão se repete: dinheiro público, intermediários, políticos e, agora, até ramificações que chegam perto do Supremo. O Banco Master virou o fio que puxa o tapete de muita gente que se julgava intocável.
O Congresso discute reação ao STF só agora, em ano eleitoral, depois de ter convivido confortavelmente com o ativismo judicial quando o alvo era o lado certo. A oposição vê na crise uma oportunidade; o Centrão calcula votos. Reforma do Judiciário virou pauta porque o desgaste ficou grande demais para esconder. Mandato para ministro, regras claras e menos poder monocrático não são radicalismo. São o mínimo para uma República que ainda pretenda ter Três Poderes, e não um tribunal que legisla, executa e julga. E rouba.
A imprensa tradicional – Folha, Globo e afiliados – vai insistir que qualquer crítica ao Supremo é ameaça à democracia? O eleitor que lê Gazeta do Povo ou simplesmente observa a realidade já percebeu o contrário: a ameaça está na fusão entre aparelhamento petista, seletividade judicial e avanço do crime. Em outubro, o brasileiro decide se quer mais do mesmo consórcio ou se ainda acredita que instituições servem ao cidadão, não o contrário. O relógio corre. E o circo, por enquanto, continua.

















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