No início deste mês, li um artigo no The Atlantic sobre um dispositivo de leitura de livros digitais barato, fabricado na China, que é pouco maior que um cartão de crédito. Este dispositivo é tão simples (sem gráficos, sem tela sensível ao toque, sem cores, sem luz de fundo) que os compradores estão entusiasmados com a possibilidade de se concentrarem no texto do livro exibido, sem se distraírem com os recursos que consomem a atenção do celular. O aparelho se fixa magneticamente na parte traseira do celular, então tudo o que você precisa fazer é virar o telefone e começar a ler o texto simples.

Devo admitir que estou um pouco cético. Sou a favor de qualquer estratégia que as pessoas adotem para ler mais livros, mas o escritor da revista The Atlantic relatou que o pequeno dispositivo lhe permitiu passar dez horas lendo uma grande obra de não ficção “nas últimas semanas”. De alguma forma, não acho que isso seja algo para se gabar.

E quanto será que alguém vai reter lendo livros neste pequeno selo postal? Já escrevi aqui antes, no ano passado e três anos antes disso, relatando minhas preocupações sobre as diferenças entre e-books e livros físicos. (Parece que está se tornando meu tema anual de volta às aulas.) Não abandonei completamente os e-books, mas reconheço que, para mim, pelo menos, o papel é preferível. Aliás, quando estava lendo no meio do verão para a coluna do mês passado sobre a manipulação da composição da Suprema Corte, comecei o livro de Laura Kalman sobre o assunto em PDF no meu tablet. Mas, por volta de um terço da leitura, percebi que se tratava de uma importante obra de história, com detalhes minuciosos, e encomendei um exemplar impresso. Quando chegou, reproduzi todas as minhas anotações do PDF no livro físico e continuei lendo exclusivamente o livro impresso — e de forma mais rápida e profunda.

Acho que Maryanne Wolf entenderia. Wolf é a autora do livro Princeton Pre-Read deste ano, selecionado pelo presidente Christopher Eisgruber para ser enviado a todos os calouros e servir de base para discussões quando chegarem ao campus. Wolf é uma neurocientista cognitiva que estudou como nossos cérebros aprendem a ler, a compreender e a reter o que lemos, e seu livro de 2018, Reader, Come Home: The Reading Brain in a Digital World (Leitor, Volte para Casa: O Cérebro Leitor em um Mundo Digital), é excelente sobre o assunto.