A Geração Z protagonizou uma revolta no Nepal em setembro de 2025 que culminou na queda do primeiro-ministro K.P. Sharma Oli. Motivados pela insatisfação com a corrupção e o bloqueio de 26 redes sociais, milhares de jovens marcharam em Katmandu, enfrentando repressão policial. O episódio voltou ao debate no Brasil nesta semana devido a discussões sobre impunidade e tensões no Judiciário.

Quais foram os principais motivos que levaram à queda do governo nepalês?

A crise foi alimentada por um acúmulo de insatisfações relacionadas à corrupção sistêmica, ao nepotismo e à falta de oportunidades econômicas. O estopim imediato foi a decisão do governo comunista de bloquear 26 plataformas digitais, como Facebook, Instagram e WhatsApp, alegando questões regulatórias. Para a população, a medida foi vista como uma tentativa clara de silenciar críticas e esconder o estilo de vida luxuoso dos filhos da elite política, apelidados de ‘Nepo Babies’, enquanto a maioria enfrentava dificuldades financeiras, gerando revolta nas ruas.

Como os manifestantes se organizaram diante da censura nas redes sociais?

Mesmo com o bloqueio oficial das principais plataformas digitais e aplicativos de mensagens, os ativistas da Geração Z demonstraram grande habilidade técnica para manter a mobilização viva. Eles utilizaram redes privadas virtuais, conhecidas pela sigla VPN, que permitem acessar a internet como se estivessem em outro país, burlando as restrições locais. Além disso, as discussões e o planejamento dos atos migraram para comunidades em plataformas que permaneceram acessíveis, como o Discord e o Reddit, garantindo que a comunicação entre os grupos não fosse interrompida.

Qual foi o desfecho político após a renúncia do primeiro-ministro Oli?

Após a renúncia de Oli em 9 de setembro de 2025, provocada pela morte de pelo menos 19 pessoas e pela invasão de prédios públicos, o país iniciou uma transição política. A ex-presidente da Suprema Corte, Sushila Karki, assumiu o comando de uma administração provisória com o objetivo de organizar novas eleições. O pleito ocorreu em março de 2026 e resultou em uma mudança drástica no Parlamento: o partido Rastriya Swatantra Party (RSP) conquistou a maioria das cadeiras, desbancando as siglas tradicionais que dominavam a política do Nepal há várias décadas.