
A Rússia iniciou nesta sexta-feira (18) as eleições para a Duma, a câmara baixa do Legislativo do país. Até domingo (20), os russos votarão para definir os ocupantes das 450 cadeiras da casa, mas já se sabe de antemão que um Parlamento fantoche sairá desse processo.
Além de denúncias de fraude, eleições na Rússia são marcadas por vetos das autoridades a candidatos e partidos que façam oposição real ao ditador Vladimir Putin.
O Yabloko, único partido político registrado na Rússia que se opõe à guerra na Ucrânia, chegou a ingressar na disputa, mas a Suprema Corte russa ordenou em agosto a remoção da legenda das cédulas eleitorais. Candidatos do partido ainda concorrem de forma isolada.
A eleição para a Duma deste ano é a primeira desde o início da guerra na Ucrânia, na qual a Rússia vem colhendo fracassos. Uma análise do think tank americano Instituto para o Estudo da Guerra (ISW, na sigla em inglês) divulgada esta semana apontou que as forças ucranianas têm mantido as forças russas com ganhos territoriais líquidos próximos de zero desde março.
O comando militar da Rússia não divulga as baixas no conflito. Na terça-feira (15), o Estado-Maior da Ucrânia informou que as forças russas perderam 301 mil militares, entre mortos e feridos, desde o início de 2026. O total de baixas russas supera 1,5 milhão desde o início da guerra, segundo Kiev.
Os ataques da Ucrânia a refinarias russas têm levado a Rússia, que tem algumas das maiores reservas de petróleo e gás do mundo, a importar combustíveis devido à escassez.
Nesse cenário, a economia está em crise. O Produto Interno Bruto (PIB) encolheu no primeiro trimestre (retração de 0,2%) e teve uma leve recuperação no segundo (alta de 1,3%). O governo russo estima um crescimento de 0,6% este ano, muito abaixo da expansão de 4% de 2024.
Em discurso transmitido pela televisão na quarta-feira (16), Putin pediu que os russos compareçam às urnas.
“A participação nas eleições é a nossa contribuição comum para a vitória da Rússia. Esta será a nossa resposta comum àqueles que querem enfraquecer a Rússia, conter o seu desenvolvimento e nos privar da soberania e do direito de escolher o nosso destino de forma independente”, afirmou o ditador.
Entretanto, o mundo sabe que a eleição para a Duma será novamente um mero simulacro de democracia.
“Eleições no Ocidente e eleições na Rússia são coisas completamente diferentes”, disse Grigory Grishin, candidato do Yabloko, à emissora britânica BBC.
“No Ocidente, as eleições são uma forma de formar um governo, que é substituído posteriormente se os eleitores não estiverem satisfeitos. Na Rússia, as eleições nunca trazem uma mudança de governo. Na melhor das hipóteses, são uma forma de influenciá-lo, de enviar um sinal. Mas o poder na Rússia nunca mudou por causa de uma eleição. É assim que a Rússia funciona”, lamentou.

















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