Por meio de um habeas corpus preventivo escrito à mão (leia na íntegra ao final), o pastor Oséas de Campos enviou um apelo ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin três dias após o governo dos Estados Unidos classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Campos pede que os chefes das duas maiores facções do país sejam escondidos em um local conhecido apenas pela Justiça, pelo Ministério Público e pelas famílias.

O documento de 2 de junho de 2026 foi revelado pelo portal Metrópoles e confirmado pela Gazeta do Povo em consulta ao sistema do tribunal. Nele, o religioso afirma que há o risco de um “salve geral” caso Fernandinho Beira-Mar, chefe do CV, e Marcola, líder do PCC, sejam capturados pela CIA.

Campos citou o salve geral de 2006 para reforçar sua argumentação. Na ocasião, uma decisão do governo paulista de transferir 765 presos, incluindo Marcola e outras lideranças do PCC, para a Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, desencadeou uma onda coordenada de rebeliões e ataques em São Paulo. Houve rebeliões simultâneas em 74 presídios e ataques contra policiais, agentes penitenciários, delegacias, viaturas, bases de segurança e outros alvos. Ônibus foram incendiados, o transporte público sofreu interrupções e São Paulo chegou a ter comércio, escolas e ruas esvaziados.

“Salve” é uma gíria usada para designar uma mensagem interna da facção. Dependendo do conteúdo, também funciona como ordem. O “salve geral” é uma ordem ampla, com o objetivo de alcançar toda a organização criminosa. O religioso coloca como observação, logo após mencionar o episódio histórico, o aumento da população carcerária no país e a flexibilização na política de armas pelo governo de Jair Bolsonaro (PL).