Enquanto o filho de Alexandre de Moraes se casava em São Paulo, eu estava na casa dos meus pais, celebrando o aniversário da minha irmã. O casamento foi cheio de pompa, na caríssima Casa Fasano, com convidados que não raro figuram em escândalos que já nem sei se são políticos ou jurídicos. Só sei que são escândalos. Já o aniversário foi bem simples, apenas pizza, vinho, bolinho e parabéns. E os convidados éramos apenas a família. Diferentemente do casamento, o aniversário não contou com um forte esquema de segurança. Foi bem tranquilo e às 21h30 já estávamos em casa.

Dizem que um dos convidados de honra do Junior foi o sommelier de Macallan e charutos, parça de Daniel Vorcaro e amigo do papi Paulo Gonet. Ele estaria abatido durante o festerê. Por que será? Gilmar Mendes e Dino também foram. Vorcaro não pôde comparecer, infelizmente. Enquanto isso, no aniversário da minha irmã, um dos convidados era eu mesmo. Um cronista de província, irmão da Aline, marido da Daniele, filho do Paulo e da Marlene. E eu atesto e dou fé: estava feliz e tranquilo, rindo e sentindo uma pontinha de culpa por ter chorado (reza a lenda) ao saber que a cegonha me trouxe uma irmãzinha. Isso lááááá atrás, no remoto ano de 1982.

Hora da gravata

Claro que eles jamais confessarão isso, mas durante o casamento do filho do Alexandre de Moraes o clima era apreensão. Aquela felicidade constrangida de quem sabe que todos os podres da família estão expostos e só não vê quem não quer. Será que algum convidado, depois da terceira ou quarta dose, teve coragem de chegar para o pai do noivo, dar os parabéns e dizer que os milhões do Vorcaro valeram a pena? (rsrsrs). Alguém perguntou para a noiva o que ela achava de entrar para a famiglia? Aliás, será que teve a tradicional “hora da gravata”? Certamente falou-se muito mal do André Mendonça.

Já no aniversário da minha irmã as histórias familiares se repetiam. Todas banais e interessantíssimas. Minha mãe contou que uma vez um pernilongo entrou dentro do ouvido dela. Por algum motivo, em certo momento percebi que discutíamos papel higiênico. Meu pai contou uma piada sem graça – e riu gostoso. Falamos de política, eu brinquei que faria o L, ninguém acreditou e não era mesmo para acreditar. Rimos, rimos mais, rimos mais um pouco. Tão bom rir. Ninguém reclamou da vida. Ao se despedir, minha irmã comentou que não troca esse tipo de coisa que tínhamos acabado de viver por nada. Por nada. Nem eu.