Menos de 48 horas após a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou a enfrentar medidas judiciais, diligências policiais e investigação que, na avaliação de juristas, indicariam cenário de perseguição política. Ele acabou saindo do país rumo aos Estados Unidos. As decisões também alimentaram o debate sobre o tratamento à oposição no país e sobre o risco que um adversário do governo passe a ser enquadrado, na prática, como um “dissidente político”.

Na segunda (26), Flávio foi intimado pela Polícia Federal, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, a entregar passaportes e a cumprir a proibição de deixar o Brasil. A decisão, que tramita sob segredo de Justiça, está relacionada à investigação que envolve o senador e o advogado Willer Tomaz, sob suspeita de lavagem de dinheiro.

Nesta terça (27), a PF e o Ministério da Justiça procuraram autoridades argentinas para verificar informações divulgadas pela imprensa de que Flávio teria cruzado a fronteira e seguido em direção aos Estados Unidos. A saída de Flávio e de sua família do Brasil foi confirmada horas depois.

O constitucionalista Alessandro Chiarottino destaca que há indícios de perseguição política pela forma como ocorreu a intimação para a entrega dos passaportes. Questionado se a sequência de medidas poderia indicar que Flávio deixa de ser opositor político e passa a ser visto como dissidente, o especialista respondeu afirmativamente e avaliou que o senador seria “mais um perseguido político”.