
O presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta, afirmou que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), persegue politicamente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Em declarações durante o programa Análise da 3ª, da Rádio Causa Operária, o dirigente também afirmou que o Supremo exerce uma “ditadura” no Brasil e criticou a relação do PT com a Corte.
As declarações ocorreram após Moraes determinar que Flávio entregasse seus passaportes à Polícia Federal (PF) e proibisse o senador de deixar o Brasil. A decisão provocou críticas de aliados do parlamentar à atuação do ministro.
“Até um cego vê que trata-se de uma perseguição política”, disse Pimenta.
O presidente do PCO argumentou que Flávio recebeu quase 60 milhões de votos no segundo turno e conquistou uma bancada expressiva no Congresso Nacional.
Na avaliação dele, o senador teria força para articular o impeachment de ministros do Supremo.
“A ação de Moraes nada tem a ver com a defesa da democracia, e sim com o fato de que o candidato do PL teve quase 60 milhões de votos e fez bancadas expressivas na Câmara e no Senado. Com isso, pode conseguir o impeachment de determinados ministros do STF. Então, a perseguição é por causa disso, é um jogo de poder”, declarou.
Rui Pimenta afirma que STF exerce “ditadura”
Durante o programa, Pimenta também criticou a atuação do Supremo e justificou a decisão do PCO de orientar voto nulo no segundo turno presidencial, disputado entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“O STF exerce aqui uma ditadura, todo mundo sabe disso. E na realidade, nós estamos vendo a continuidade da ditadura. Muita gente estranhou que a gente votasse nulo, entre o Flávio Bolsonaro e o Lula. A ação de Moraes contra Flávio é uma demonstração de por que a gente não tinha condições de votar no Lula. Porque votar no Lula era também votar no STF”, afirmou.
O dirigente relacionou o apoio do PT à atuação do Supremo à dificuldade do partido de se distanciar das decisões de Moraes.
Para Pimenta, a aliança política entre petistas e o ministro compromete a posição do partido diante das críticas à Corte.
Família Bolsonaro é alvo frequente de Moraes
A ordem de apreensão dos passaportes de Flávio ocorre após uma sequência de medidas judiciais impostas pelo ministro Alexandre de Moraes a integrantes da família Bolsonaro.
Em julho de 2025, antes da condenação de Jair Bolsonaro por suposta tentativa de golpe, Moraes determinou buscas na residência do ex-presidente, impôs o uso de tornozeleira eletrônica e estabeleceu restrições à comunicação e ao uso de redes sociais.
No mês seguinte, converteu as cautelares em prisão domiciliar, sob a alegação de descumprimento das ordens judiciais. Em novembro, decretou a prisão preventiva do ex-presidente.
Em julho de 2026, publicações de Flávio nas redes sociais foram usadas para impor restrições às visitas a Jair Bolsonaro.
O senador, então pré-candidato, divulgou uma carta do ex-presidente que o apresentava como porta-voz do pai e pedia apoio à sua pré-candidatura à Presidência.
O ministro entendeu que a divulgação contornava a proibição de manifestações políticas por terceiros imposta a Jair e suspendeu as visitas de Flávio ao ex-presidente por 90 dias, período que ultrapassava o primeiro turno das eleições. As visitas foram retomadas em meados de outubro.
Moraes também iniciou uma investigação contra Eduardo Bolsonaro por sua atuação nos Estados Unidos em favor do pai.
O STF condenou o ex-deputado por coação no curso do processo. Após o trânsito em julgado, o ministro determinou a expedição de mandado de prisão, com pena de quatro anos e dois meses, a suspensão dos direitos políticos e o cancelamento dos passaportes de Eduardo, que está nos EUA.
Em outro processo, também relatado por Moraes, o STF condenou Eduardo, em setembro deste ano, por declarações contra a deputada Tabata Amaral (PSB-SP), feitas em 2021, quando ele ainda exercia o mandato de deputado.

















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