A frota de veículos chineses eletrificados no Brasil ultrapassou a marca de um milhão de unidades, mas o envelhecimento desses modelos começa a testar a eficiência do serviço de pós-venda das montadoras. Com uma idade média de apenas 3,3 anos, a manutenção futura e a desvalorização tecnológica tornam-se as principais preocupações para os proprietários que buscam segurança a longo prazo.

Qual é o principal desafio das marcas chinesas com o envelhecimento da frota?

O grande teste para as fabricantes chinesas no Brasil será o serviço de pós-venda, que é o atendimento oferecido após a compra do veículo. Atualmente, a maioria dos carros ainda é nova e está coberta pela garantia, o que limita a demanda a revisões básicas. No entanto, à medida que os veículos envelhecem, surgirão necessidades de reparos complexos, substituição de peças de desgaste natural e solução de problemas eletrônicos. A reputação das marcas dependerá de como elas sustentarão esses modelos mais velhos quando precisarem de intervenções fora do período de cobertura.

A durabilidade das baterias é o único fator de desvalorização dos seminovos?

Embora muitos consumidores temam o fim da vida útil das baterias, especialistas indicam que o maior risco de perda de valor está na velocidade da evolução tecnológica. O setor automotivo chinês desenvolve novas soluções tão rápido que um carro pode se tornar obsoleto em apenas três anos. Além da bateria, evoluções em sistemas de assistência ao motorista, conectividade e arquitetura elétrica fazem com que modelos antigos percam atratividade. Portanto, o preço de um usado será influenciado mais pelo estado tecnológico e pela saúde da bateria do que apenas pela quilometragem.

Como o tempo de oficina dos carros chineses se compara ao das marcas tradicionais?

Dados recentes mostram que os carros chineses passam mais tempo parados em oficinas do que os modelos de marcas tradicionais. Enquanto a frequência de visitas é parecida, o tempo médio de reparo nos veículos vindos da China é de 8,25 horas, contra 4,64 horas nos concorrentes antigos. O intervalo total entre a entrega do carro e a devolução ao cliente chega a ser quase três vezes maior, atingindo 85 horas. Os principais gargalos identificados são a dificuldade em realizar diagnósticos precisos e a falta de disponibilidade imediata de peças de reposição no mercado nacional.