As gigantes paranaenses Lar e Cresol estão implementando um modelo de dupla governança para profissionalizar sua administração. A estratégia separa as funções de dirigentes eleitos, que focam no atendimento aos associados e decisões de longo prazo, de diretores executivos contratados, responsáveis pela operação diária. O movimento visa garantir a competitividade em um setor que faturou R$ 848 bilhões em 2025.

Como funciona o novo modelo de gestão adotado pela Lar e pela Cresol?

O sistema é conhecido como dupla governança. Na prática, os cooperados continuam sendo os donos do negócio e elegem um Conselho de Administração para representá-los. Esse conselho define as estratégias, fiscaliza os resultados e cuida do relacionamento com a comunidade. No entanto, em vez de os próprios conselheiros cuidarem da parte burocrática e operacional, eles contratam executivos de mercado. Esses gestores profissionais comandam o dia a dia da empresa, como logística e vendas, mas respondem diretamente ao conselho eleito, garantindo que o poder de decisão final permaneça com os associados.

Quais são as principais mudanças previstas no estatuto da cooperativa Lar?

A Lar aprovou ajustes estratégicos que entrarão em vigor totalmente até 2027. Uma das mudanças centrais é a redução do número de integrantes do Conselho de Administração, que passará de nove para sete membros. O novo estatuto também abre portas para a exploração de mercados tecnológicos e sustentáveis, como créditos de carbono, produção de etanol e desenvolvimento de softwares. É uma forma de preparar a base jurídica para o futuro, permitindo que a cooperativa diversifique suas fontes de receita enquanto mantém uma estrutura administrativa mais enxuta, ágil e focada em resultados sólidos.

De que forma essa mudança protege o patrimônio dos cooperados?

A história mostra que erros de gestão podem destruir cooperativas inteiras, como ocorreu com a Piá e a Cotribá, que enfrentaram graves crises financeiras e liquidações. Ao adotar uma gestão profissional, a cooperativa minimiza os riscos de decisões baseadas apenas em intuição ou falta de conhecimento técnico de mercado. Pesquisadores apontam que a qualificação dos conselheiros, somada ao rigor dos executivos contratados, cria uma camada extra de proteção. Isso evita o endividamento excessivo e garante que o patrimônio coletivo seja preservado mesmo diante de instabilidades econômicas globais.