O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, sofreu um revés político nesta quinta-feira (5), após perder o apoio de um de seus tradicionais aliados nas negociações para a formação do próximo governo. O partido ultraortodoxo Judaísmo Unido da Torá, que integra a atual coalizão do premiê, decidiu não recomendar seu nome para continuar no cargo. Enquanto isso, seu principal adversário, Gadi Eisenkot, conseguiu o apoio de 67 dos 120 deputados do Parlamento israelense, número suficiente para uma maioria parlamentar, que pode formar um novo governo sob o comando de Eisenkot.
O número foi anunciado pelo presidente de Israel, Isaac Herzog, após dois dias de consultas com os partidos eleitos na eleição de 27 de outubro. Segundo Herzog, enquanto Eisenkot, ex-chefe das Forças Armadas e líder do partido Yashar, recebeu a indicação de 67 parlamentares para a formação de um novo governo, Netanyahu foi recomendado por apenas 46. Outros sete deputados, pertencentes ao Judaísmo Unido da Torá, não indicaram nenhum candidato.
Apesar da vantagem de Eisenkot, Herzog afirmou que ainda não decidiu quem receberá a missão de tentar formar o próximo governo. O presidente anunciou que fará novas consultas com líderes partidários antes de tomar uma decisão final no domingo (8).
“Os resultados das consultas podem parecer claros, mas a autoridade que a lei me confere é determinar quem tem condições de formar um governo, e isso não está totalmente claro, diante dos vetos mútuos entre os blocos e dentro deles”, declarou Herzog.
A decisão de quem receberá a missão de formar o governo é uma atribuição do presidente de Israel. Depois de escolhido, o indicado terá inicialmente 28 dias para negociar uma coalizão, com possibilidade de prorrogação por mais 14 dias. Netanyahu continuará exercendo o cargo de primeiro-ministro até que um novo governo seja empossado.
Aliado de Netanyahu se recusa a apoiar sua permanência
A decisão do Judaísmo Unido da Torá representa mais uma dificuldade para Netanyahu após as eleições parlamentares. Embora o Likud, seu partido, tenha conquistado o maior número de cadeiras individualmente, com 27 deputados, a coalizão formada por seus aliados terminou a votação com 53 assentos, oito abaixo dos 61 necessários para obter maioria no Parlamento.
O Judaísmo Unido da Torá elegeu sete parlamentares e vinha apoiando Netanyahu nos últimos anos. Desta vez, porém, a legenda optou por não recomendar o primeiro-ministro, em meio às disputas sobre a obrigatoriedade do serviço militar para judeus ultraortodoxos.
O partido defende a preservação das isenções concedidas a estudantes de escolas religiosas judaicas, enquanto outros grupos políticos exigem a ampliação do recrutamento militar. A divergência ganhou força nas negociações para a formação do novo governo.
Segundo o jornal israelense The Times of Israel, o líder do partido Yisrael Beytenu, Avigdor Liberman, um dos aliados de Eisenkot, passou a admitir uma possível negociação com os ultraortodoxos para construir uma coalizão que substitua Netanyahu. Liberman vinha se opondo à participação dessas legendas em governos devido às divergências sobre o serviço militar obrigatório.
Eisenkot ainda precisa superar divisões entre seus aliados
Embora tenha recebido o apoio da maioria dos deputados, Eisenkot ainda enfrenta dificuldades para reunir os partidos necessários à formação de um governo estável. Os quatro partidos de maioria judaica que se opõem a Netanyahu conquistaram juntos 48 cadeiras. Os outros 19 apoios recebidos pelo ex-chefe militar vieram de duas legendas de representação árabe, a Lista Conjunta e o Ra’am, que decidiram recomendar seu nome ao presidente Herzog.
O apoio dessas legendas, entretanto, não significa que elas participarão de uma eventual coalizão. Eisenkot e outros integrantes do bloco de oposição já manifestaram resistência à formação de um governo com os partidos árabes, principalmente devido às divergências sobre questões de segurança nacional. Uma alternativa discutida entre os opositores de Netanyahu seria negociar com os partidos ultraortodoxos, mas essa possibilidade também depende de concessões sobre o serviço militar e outras questões políticas.
Diante do impasse, Herzog pretende conversar novamente com os líderes partidários antes de definir quem terá a primeira oportunidade de formar o governo. Caso nenhum candidato consiga reunir apoio suficiente para assumir o poder, Israel poderá ter de realizar novas eleições parlamentares.
VEJA TAMBÉM:
-

E boicotar “sionistas”, pode?
-

Presidente de Israel inicia nesta semana consultas para definir formação de governo
















Leave a Reply