Uma investigação da Polícia Federal identificou que o perito João Cláudio Nabas compilou dados sigilosos e produziu relatórios informais sobre os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli em dezembro de 2025, visando pressionar por investigações contra os magistrados.

O que motivou a criação desses documentos contra os ministros?

Investigadores acreditam que o perito agiu por conta própria ao acreditar que os ministros não seriam investigados devido ao poder que possuem. A intenção dele seria vazar os dados para a imprensa para gerar pressão popular, forçando o início de um inquérito formal. No entanto, por lei, ministros do Supremo Tribunal Federal só podem ser investigados com autorização da própria Corte, o que torna a conduta do perito um desvio grave.

Como o perito teve acesso a essas informações?

João Cláudio Nabas é especialista em crimes financeiros e foi convocado para auxiliar na Operação Compliance Zero, que investiga fraudes bilionárias no Banco Master. Ele teve acesso aos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, dono do banco. No início de dezembro de 2025, aproveitando-se da função, ele teria selecionado mensagens e contatos que mencionavam os ministros para montar os arquivos em PDF.

Quais informações constavam nos dossiês elaborados?

O material sobre Alexandre de Moraes trazia detalhes de um contrato de R$ 129 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes. Já o arquivo sobre Dias Toffoli reunia dados sobre negócios de sua família e de sua ex-mulher, incluindo a participação em um resort de luxo no Paraná. É importante destacar que os documentos focavam em menções feitas por terceiros e não em mensagens diretas dos ministros.