
O advogado-geral da União, Jorge Messias, anunciou nesta quarta-feira (26) uma ação civil pública contra o Discord na Justiça Federal por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A medida ocorre após as negociações para adequação da plataforma às leis brasileiras falharem. O governo pede uma indenização de R$ 500 milhões em danos morais coletivos.
“Essa plataforma tem permitido, a partir do que chamamos de proteção insuficiente a mulheres, crianças, adolescente e animais, a prática de uma série de violações…. Por orientação do presidente da República, o governo federal adotou essa medida”, disse Messias em coletiva à imprensa.
A investigação, conduzida pela AGU e pelo Ministério da Justiça, teve início após uma adolescente de 13 anos ter sido induzida a se suicidar durante uma live na plataforma. O caso foi citado pela primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, durante um evento no Palácio do Planalto, no início deste mês.
A Polícia Civil do Mato Grosso do Sul apreendeu cinco menores de idade, entre 13 e 18 anos, que teriam conexão com o episódio. A Operação Lívia foi realizada em cinco estados do país, no dia 4 de agosto.
Janja chegou a cobrar o bloqueio imediato da rede social, contudo, a AGU deu um prazo para que o Discord corrigisse falhas e apresentasse um plano de adequação à legislação brasileira.
Caso o plano fosse aceito, o governo poderia encerrar as investigações por meio da assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), que formaliza os compromissos da empresa em cumprir as regras do país. A plataforma entregou sua manifestação no último dia 10.
Dois dias depois, em outro processo, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou a suspensão das transmissões ao vivo do Discord no Brasil por descumprimento do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), em vigor desde março de 2026.
Nesta segunda (24), a plataforma recorreu contra a ordem da ANPD, apontando que punição seria “desproporcional”.
O ministro da Justiça, Wellington César, afirmou que o processo contra o Discord é “uma resposta de Estado” para mostrar que plataformas nacionais ou estrangeiras não podem “descuidar dos limites impostos pela lei”.

















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