O cenário econômico brasileiro é alarmante, mas isso não teve até agora a devida repercussão na corrida presidencial. O principal fator a ser levado em conta na escolha do eleitorado sempre é a avaliação da gestão presente: ela deve continuar ou dar lugar a outra?

É simples assim: o parâmetro central para a definição do voto. Mas, atualmente — e cada vez mais na história recente —, a eleição se parece mais com um concurso de frases bonitas, pegadinhas bem aplicadas, performances instagramáveis e tudo menos a aferição objetiva da gestão governamental. O falatório de políticos e autoridades substituiu os fatos.

No menosprezado campo dos fatos, sem o diversionismo dos apelos à soberania e os alarmes salvacionistas (que servem para o cerceamento da crítica nas redes), o governo Lula encontra-se reprovado por si mesmo — pelo menos no campo do que é feito com o dinheiro do pagador de impostos, que é quase tudo na vida de um mandatário. A deterioração macroeconômica é grave e visível por qualquer um a olho nu.

Num quadro em que a inadimplência já atinge 9,1 milhões de empresas no país, com recorde de 232 bilhões de reais de dívidas em atraso, as perspectivas para 2027 são bastante preocupantes. Parece um tanto enigmático que a crise no varejo nacional — envolvendo gigantes como as Casas Bahia — não estabeleça um imediato nexo causal com a gestão petista.