Terremotos têm chamado muita atenção porque, num intervalo de 52 dias, causaram danos e ceifaram vidas em cinco países: Venezuela, Japão, México, Colômbia e Indonésia. Com a mídia expondo os acontecimentos em tempo real, ficar indiferente é impossível, especialmente com o sucedido nas vizinhas Venezuela e Colômbia. Desses fatos, duas perguntas surgiram: o número de terremotos está aumentando? Os recentes sismos poderiam ter sido menos desastrosos?

O Serviço Geológico Americano (USGS, em inglês) assinala cerca de 15 terremotos anualmente, com magnitudes de 7,0 a 7,9, intervalo em que se encaixam os sismos dos cinco países citados. Neste ano, aconteceram 11 desses sismos no mundo; no ano passado, foram 16 e, em 2022, foram 19. Portanto, estamos na média, sem qualquer evidência de aumento significativo. Reforça esse argumento o fato de a origem primária dos terremotos estar ligada à movimentação das placas tectônicas, que também não demonstram anomalias expressivas em sua dinâmica milenar. Sendo assim, os terremotos apenas aparentam ser mais numerosos e perigosos, pois continuam seguindo o seu padrão usual: o de assustar e causar problemas mundo afora.

A distribuição global dos terremotos indica que 85% deles ocorrem ao longo do Cinturão Circum-Pacífico, onde se localizam países desenvolvidos, emergentes e pouco desenvolvidos. Tal diversidade econômica quase sempre implica o potencial danoso dos terremotos – país rico, menos estragos; país pobre é o contrário. Na verdade, não se trata apenas de dinheiro, pois também envolve disseminar técnicas de construções sismo-resistentes, preparar a população para enfrentar os desastres – saber como agir – e, fundamentalmente, contar com decisões governamentais corretas de médio e longo prazo. Quando se fala disso, o Japão é sempre citado como país modelo, o que é verdade – a sismicidade deles é tão complicada e agressiva que, para sobreviverem, não poderiam agir diferente.

Na última leva de sismos, dentre os cinco países mencionados, o Japão foi o que teve menos estragos e o menor número de vítimas fatais. Isso mostra que, mesmo em uma nação preparada, o sucesso total não é garantido