A suspensão da campanha à Presidência da República de Renan Santos (Missão), imposta por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pode ter um efeito reverso e funcionar como combustível para o candidato na corrida presidencial. Entre os concorrentes, Santos é o que melhor encarna o perfil antissistema, e a liminar do ministro Dias Toffoli — classificada como excessiva por juristas — reforça a candidatura alternativa e a narrativa do outsider contra a política tradicional.

O ministro suspendeu a campanha digital, o fundo eleitoral e a participação de Renan Santos nos debates em decorrência da omissão de 16 perfis em redes sociais no registro inicial da candidatura. O partido não tem tempo de propaganda eleitoral no rádio e na TV.

Na avaliação do cientista político e professor do Insper de São Paulo Leandro Consentino, a liminar reforça o discurso antissistema da campanha do Missão contra um dos principais alvos do candidato à Presidência: o Supremo Tribunal Federal (STF). 

“Ele [Renan Santos] costuma afirmar que ‘está tudo errado e vamos botar tudo abaixo’, sendo que o STF faz parte desse pacote. Sem dúvida nenhuma, isso pode trazer um fortalecimento para o próprio discurso dele”, analisou.