
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, admitiu nesta segunda-feira (31), durante uma conversa com jornalistas no Salão Oval da Casa Branca, que pode rever a posição de Washington sobre a soberania das Ilhas Malvinas, arquipélago no Atlântico Sul atualmente sob administração do Reino Unido e reivindicado pela Argentina.
Questionado sobre o tema, Trump disse que “eu sempre reviso todas as posições. Essa é apenas uma entre muitas”. A declaração não representou um anúncio formal de mudança na política americana, mas deixou em aberto a possibilidade de uma revisão da postura mantida pelos Estados Unidos há décadas.
Washington evita tomar partido oficialmente na disputa de soberania das Malvinas desde 1982. Os Estados Unidos reconhecem a administração britânica de fato sobre as ilhas, chamadas de Falkland Islands pelo Reino Unido e de Malvinas pela Argentina, mas não apoiam formalmente nenhuma das duas reivindicações de soberania.
De acordo com a agência Reuters, uma eventual revisão da posição americana sobre as Malvinas já esteve entre as opções consideradas por Trump para pressionar aliados da Otan que, na avaliação de Washington, não vinham atendendo às expectativas dos Estados Unidos em relação aos gastos militares e ao apoio às operações americanas durante a guerra contra o Irã.
Na semana passada, o jornal britânico The Telegraph informou que autoridades de defesa dos Estados Unidos estudavam medidas para aumentar a pressão sobre o Reino Unido. Entre elas estaria a possibilidade de Washington deixar de apoiar politicamente a soberania britânica sobre as ilhas caso Londres não ampliasse seus compromissos de investimento em defesa.
O presidente Javier Milei, aliado próximo de Trump, afirmou no início deste mês que a relação estratégica com os Estados Unidos seria “a chave” para que seu país avance na tentativa de recuperar a soberania sobre as Malvinas. Em entrevista à Rádio Mitre no último dia 3, Milei disse que os Estados Unidos haviam mudado sua visão estratégica do mundo e que a Argentina reunia condições para se tornar um aliado confiável de Washington. Segundo ele, essa aproximação poderia favorecer a reivindicação argentina sobre o arquipélago.
A disputa pelas Malvinas remonta ao século XIX e levou Argentina e Reino Unido à guerra em 1982. O conflito terminou com a retomada do controle britânico sobre as ilhas e deixou 649 militares argentinos, 255 britânicos e três habitantes do arquipélago mortos.
Durante a guerra, o então presidente americano Ronald Reagan, do Partido Republicano, adotou inicialmente uma posição de neutralidade, mas, após o fracasso das negociações diplomáticas, os Estados Unidos passaram a fornecer apoio militar e de inteligência ao Reino Unido.

















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