São sete anos de atraso. O Brasil não estaria nesse caos, tomado por uma tirania, se a imprensa não tivesse desistido de ser imprensa. Quando em 2019, Dias Toffoli instaurou por ofício o tal “inquérito do fim do mundo”, a reação dos jornalistas foi tímida. E tudo começou justamente num movimento de censura a um veículo de comunicação… Não havia objeto definido com clareza, e o procedimento – chamar esse monstro de inquérito me parece insano – foi entregue, por escolha de Toffoli, descartado o sorteio exigido, a Alexandre de Moraes. As dependências do STF se expandiram sem limites a todo o planeta, como se o regimento interno do Supremo permitisse delírio assim… Era tudo ilegal, e a imprensa só “fez biquinho”. Quando os militantes disfarçados de jornalistas entenderam qual seria a serventia daquilo, a breve resistência foi vencida, e o caminho para a tirania foi aberto.

A narrativa de “combate a fake news” acabou conquistando jornalistas que já atuavam desde a campanha eleitoral de 2018 como integrantes de um partido político. Unidos, ministros do STF e imprensa embarcaram abertamente na guerra contra o grupo de Jair Bolsonaro. E, em suas batalhas sujas diárias, magistrados e jornalistas permitiram-se apelar para todas as ilegalidades, todas as falsidades possíveis, todas as artimanhas e baixarias mais vis, mais covardes. Virou vale-tudo. O inquérito que não é inquérito, que usa mentiras descaradas para dizer que combate as “fake news”, passou a implementar uma perseguição implacável. E caíram nesse procedimento tirânico políticos, jornalistas, influenciadores, empresários… Ninguém sabe ao certo quantos são os alvos, mas Jair Bolsonaro e o homem mais rico do mundo, Elon Musk, estão lá…

A imprensa, de um modo geral, tem uma dívida eterna com o Brasil. E cabe ao povo cobrá-la, sem dó, sem piedade.

A imprensa que desistiu de ser imprensa já não se opunha a nada. Pelo contrário, defendia a tirania porque era preciso “salvar a democracia”. Se advogados não tinham acesso aos autos, não conseguiam defender seus clientes, era por uma “causa maior”, era “pelo Brasil”. Abusos, arbítrios e ilegalidades passaram a ser justificáveis. E, assim, o país foi sendo destruído, com a abertura de outros “inquéritos”, com a farsa de que o 8 de Janeiro foi uma tentativa de golpe de Estado… Alexandre de Moraes surgiu como o todo-poderoso da nação, sempre elogiado por jornalistas que já não eram jornalistas fazia tempo e o tratavam como “fiador da democracia”, como “a muralha contra a ditadura”. Até que os rabiscadores de matérias desconectadas do mundo real acharam que “o bolsonarismo tinha sido derrotado” e passaram a pedir o retorno à normalidade, a autocontenção do Supremo, ou seja, o respeito às leis. Era tarde demais.