Os deputados federais já torraram R$ 50 milhões com divulgação do seu mandato em ano eleitoral. E mais R$ 120 milhões com aluguel de carros e aviões, combustível, hospedagem, alimentação, escritório e outras mordomias que permitem ao deputado percorrer o seu estado em busca de votos.

A autopromoção está vetada nos 120 dias anteriores às eleições, mas sempre tem um jeitinho. Ato da Mesa Diretora da Câmara diz que é possível a divulgação de atos de parlamentares e debates legislativos, desde que não se mencione a possível candidatura, ou se faça pedido de votos ou de apoio eleitoral. Mas o Tribunal Superior Eleitoral adota um entendimento que privilegia o “princípio da publicidade”, não havendo incidência de penalidade em caso de veiculação de informativo no qual o parlamentar divulgue suas atividades legislativas nos quatro meses que antecedem às eleições. Enfim, não pode, mas pode.

A frota dos deputados

O aluguel de veículos – muitas vezes carrões de luxo – custou R$ 26,8 milhões. A locação de aeronaves custou mais R$ 2,16 milhões. O fretamento de embarcações custou mais R$ 106 mil. O combustível dessa frota custou mais R$ 15,5 milhões. E há ainda a hospedagem dos deputados e equipes de apoio – mais R$ 3,2 milhões. A manutenção de escritórios nos estados dos deputados somou R$ 20 milhões. Eles permitem um contato permanente com os eleitores.

No ranking da locação de aeronaves, Átila Lins (PSD-AM) lidera, com R$ 303 mil. Renilce Nicodemos (MDB-PA) torrou mais R$ 291 mil. Sidney Leite (PSD-AM) gastou R$ 255 mil. Adail Filho (MDB-AM) gastou mais R$ 215 mil. Celso Sabino (PDT-PA), mais R$ 153 mil. Silas Câmara (Republicanos-AM), mais R$ 140 mil. Antônio Doido (MDB-PA) gastou R$ 120 mil. (No total, foram R$ 2,16 milhões para 22 deputados.) Essa prática ocorre principalmente na Região Norte, onde é difícil o acesso às bases eleitorais dos deputados. O contribuinte é quem arca com esses custos.