O impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou peso adicional nas eleições para o Senado após o levantamento do sigilo das mensagens trocadas entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro e o embate público entre o ministro e o colega da Suprema Corte André Mendonça. Nesta terça-feira (8), Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que também foi mencionado por Vorcaro nas mensagens trocadas com Moraes.

Diante da crise sem precedentes no STF, a oposição voltou a articular o impeachment de Moraes no Congresso Nacional com novos pedidos de abertura de processos de cassação no Senado. O ministro da Suprema Corte é alvo de mais de 67 pedidos de impeachment e, segundo declaração recente do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), à imprensa, a Casa teria 109 pedidos de parlamentares contra ministros do Supremo.

A repercussão do caso pressiona os candidatos ao Senado a se posicionarem sobre a prerrogativa constitucional da Casa Alta, que tem poder para destituir um ministro do STF. Neste ano, cada estado vai eleger dois senadores, o que representa a renovação de dois terços das cadeiras.

O diretor-geral do Ranking dos Políticos, Juan Carlos Arruda, lembrou da derrota imposta ao governo Lula com a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, a uma vaga de ministro — o que já apontava, na opinião dele, para o fortalecimento do movimento de parlamentares pelo impeachment. Indicado por Lula, Messias foi o primeiro candidato a ministro do STF rejeitado pelo Senado desde 1894.