As investigações sobre o Dark Horse, o filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, se baseiam principalmente em suspeitas vagas, coincidências e informações preliminares. Foi o que mostraram os documentos que vieram a público no fim de semana com a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, de levantar o sigilo do caso.

Para juristas, a própria fundamentação do despacho revela dados ainda preliminares, condições dependentes de prova e ressalvas do relator que constituem pontos suscetíveis de questionamentos.

Segundo o constitucionalista Alessandro Chiarottino, chama atenção o caráter hipotético das imputações. A decisão situa a posição do deputado Mário Frias como “agente central” ou “liderança” no “terreno hipotético da investigação”, apoiando-se em “fortes indícios” e na utilização de empresas que teria ocorrido “em tese”.

Há evidências de desvios de recursos públicos contra empresas de Karina Ferreira da Gama, que é produtora do filme. Mas a conexão dessas suspeitas com o Dark Horse se baseia apenas em coincidências temporais, hipóteses de triangulação de recursos e no fato das empresas e da produtora do filme terem o mesmo endereço.