A sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que pode definir a abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes foi marcada por uma movimentação intensa nos bastidores entre os integrantes da Corte. Enquanto Moraes conversou em diferentes momentos com Gilmar Mendes e Dias Toffoli, que ocupam as cadeiras à sua esquerda, ele evitou qualquer interação direta com André Mendonça, que ocupa a cadeira à sua direita, nem mesmo quando fez críticas ao colega.
Flávio Dino, por sua vez, deixou o plenário abraçado com o presidente da Corte, Edson Fachin, em conversa amistosa ao final da primeira parte da sessão.
A movimentação entre os ministros ocorre em meio a uma sessão marcada por divergências sobre a própria condução do caso. Logo no início, Gilmar Mendes defendeu a retirada de Mendonça da relatoria, enquanto Dino protagonizou um diálogo tenso com Fachin, sobre sua possibilidade de fazer um aparte durante a manifestação do decano.
Em determinado momento, Moraes chegou a afirmar que Mendonça estaria “a serviço de um grupo político que quis dar um golpe nesse país”, em referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Em outro embate registrado no julgamento, houve uma discussão entre Dino e Fachin enquanto tratavam sobre a condução dos trabalhos. O presidente do STF advertiu que Dino só poderia se manifestar durante a fala de Gilmar caso tivesse autorização para fazer um aparte. Dino insistiu que o regimento permitia a intervenção, desde que concedida por quem detinha a palavra — naquele momento, Gilmar.
Fora das câmeras, a dinâmica entre os ministros também foi marcada por diferentes níveis de interação. Gilmar e Toffoli conversaram com maior frequência antes da manifestação do decano nos debates sobre a relatoria do caso.
Do lado oposto do plenário, Luiz Fux, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia permaneceram mais discretos durante a maior parte da sessão.
Fux foi o único dos três a se manifestar na parte da manhã, em um momento específico, ao justificar, como presidente da Segunda Turma do STF, a decisão de pautar o referendo sobre a decisão de Mendonça que havia afastado o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Gilmar criticou a medida. Já Fux reagiu afirmando que Andrei Rodrigues estaria “peitando” o tribunal ao questionar a atuação de Mendonça e mencionou uma suposta “arapongagem” relacionada ao monitoramento do ministro por meio de relatórios de inteligência enviados a Moraes.
Mendonça também reagiu. O ministro afirmou que existiria uma “PF paralela” e levantou a possibilidade de que esse tipo de estrutura pudesse ser utilizada para monitorar outros integrantes da Corte.
Cármen Lúcia, cujo voto pode ser determinante para o resultado do julgamento, deixou sozinha o prédio principal do STF, onde fica o plenário, e seguiu para o anexo de seu gabinete após a sessão da manhã.
Durante o intervalo, Moraes se aproximou de Gilmar Mendes e deixou o plenário ao lado do decano.
A movimentação de Dino também chamou atenção. O ministro deixou o plenário abraçado com Fachin, em uma conversa aparentemente amistosa, apesar do embate entre os dois no início da sessão da manhã.
Pouco depois, ao seguir em direção à garagem interna do STF, onde ficam estacionados os carros oficiais do tribunal, Dino passou cerca de dez minutos conversando com Mendonça.
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Acesso restrito ao plenário do STF
A movimentação dentro do plenário ocorreu sob regras excepcionais de acesso. A entrada foi permitida apenas a pessoas previamente autorizadas pelo Cerimonial do STF.
Dos cerca de 400 jornalistas credenciados para acompanhar a sessão, somente 30, de veículos sorteados, puderam acessar o plenário e acompanhar a sessão. Os demais profissionais acompanharam os trabalhos em uma estrutura montada do lado de fora da Corte. A Gazeta do Povo está entre os veículos sorteados e acompanha a sessão com jornalistas dentro e fora do plenário do STF.
Os presentes no plenário também tiveram de desligar os celulares e colocá-los dentro de embalagens plásticas lacradas. A regra não se aplicou aos ministros, que permaneceram com seus aparelhos. Gilmar Mendes foi um dos que mais utilizou o celular durante a sessão.
Havia poltronas vazias no plenário. Em frente aos ministros, ficou o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Beto Simonetti. A maior parte dos demais assentos ocupados era destinada a assessores dos gabinetes dos ministros.
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Esquema de segurança foi reforçado
Do lado de fora do tribunal, o julgamento mobilizou um forte esquema de segurança. Grades, policiais armados, viaturas e equipamentos de raio X foram posicionados no entorno do STF para controlar o acesso ao prédio e garantir a segurança no local.
Além da Polícia Judicial do próprio Supremo, houve reforço com agentes de outros tribunais, entre eles o Tribunal Superior do Trabalho (TST). Viaturas foram posicionadas nas proximidades do prédio principal e na Praça dos Três Poderes.
Uma obra na praça, localizada em frente ao STF, também dificultou a formação de possíveis manifestações. Durante a manhã, a circulação de veículos na Esplanada dos Ministérios foi limitada, mas a restrição foi normalizada perto do meio-dia.
Uma estrutura de tendas, com telões, cadeiras e mesas, foi montada ao lado da marquise do STF para receber os jornalistas credenciados. A chuva e os fortes ventos que atingiram Brasília após a suspensão da sessão, porém, obrigaram os profissionais a serem realocados para o plenário da Segunda Turma, em um prédio anexo. Uma das tendas chegou a cair.
Até mesmo a chegada de autoridades ocorreu sob restrições. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, entrou no STF pelos fundos do prédio principal, enquanto jornalistas foram impedidos de acessar o local para registrar a chegada das autoridades.
















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