Nos últimos anos, o plástico passou a ocupar o centro das discussões sobre sustentabilidade e, em muitos casos, acabou tratado como o principal responsável pelos desafios ambientais relacionados aos resíduos. Essa percepção, porém, simplifica um problema mais complexo. O plástico é indispensável à sociedade moderna, presente em hospitais, na conservação de alimentos, na agricultura, na construção civil e na mobilidade. E, o verdadeiro desafio está no destino dado ao material após o consumo.

O Brasil vem avançando nessa direção. Em 2015, surgiu o primeiro sistema de logística reversa de embalagens em geral, em atendimento à Lei 12.305/2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Já em 2025, o Decreto 12.688 estabeleceu o Sistema de Logística Reversa de Embalagens Plásticas e definiu responsabilidades para fabricantes, distribuidores, comerciantes e demais agentes da cadeia de valor.

A medida cria uma estrutura específica para ampliar a recuperação e a reciclagem desses materiais. Para que isso aconteça na prática, porém, também é preciso ampliar o conhecimento da população. Segundo pesquisa do Instituto QualiBest, cerca de 45% dos brasileiros já ouviram falar sobre o decreto, mas apenas 12% dizem conhecer bem o assunto, enquanto 39% não têm conhecimento sobre o tema.

Apesar dessa lacuna, existe disposição para participar. Cerca de 28% dos brasileiros já destinaram embalagens para reciclagem, enquanto 14% afirmam realizar essa prática com frequência. O desafio agora é ampliar o acesso aos mecanismos de devolução e reciclagem e transformar essa disposição em um hábito cada vez mais presente.