O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (16), a lideranças evangélicas, que igrejas não devem ser usadas para fazer política e que precisará do apoio delas no próximo ano, caso seja reeleito à presidência da República. O petista se reuniu com pastores da denominação religiosa no Palácio do Planalto numa tentativa de aproximação com vistas à eleição de outubro.
Por intermédio da primeira-dama Janja da Silva, Lula vem tentando conquistar votos do eleitorado religioso mais alinhado à direita e ao conservadorismo, campo que encontra forte resistência desde o início deste terceiro mandato. No encontro com as lideranças evangélicas, Lula também defendeu que os templos sejam espaços voltados à “paz” e à “esperança”, e não transformados em comitês políticos.
“Se eu quiser fazer política e comitê, eu faço na rua. Mas na igreja eu não faço. Em nenhuma igreja”, declarou o presidente aos pastores.
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Lula também pediu o apoio das igrejas para uma política de cuidado destinada à população idosa que, segundo ele, o governo pretende implementar no próximo ano, caso seja reeleito.
“Nós vamos precisar muito das igrejas no ano que vem”, afirmou o presidente.
Participaram da reunião pastores brasileiros e americanos e uma pastora cubana, além do advogado-geral da União, Jorge Messias, e da própria primeira-dama. O presidente aproveitou a reunião para antecipar aos religiosos parte da mensagem que pretende levar à Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, nos Estados Unidos, na próxima semana.
Desde 1955, o Brasil mantém a tradição de abrir os discursos dos chefes de Estado e de governo no evento da ONU, seguido pelos Estados Unidos, país anfitrião. Neste ano, Lula disse que pretende usar o espaço para cobrar medidas em favor da paz e responsabilizar os cinco países que ocupam assentos permanentes no Conselho de Segurança.
“França, Inglaterra, Estados Unidos, Rússia e China. Cinco pessoas que poderiam acabar com todas as guerras. Que poderiam não começar nenhuma guerra. Mas são eles que começam as guerras. São eles que produzem armas. São eles que vendem armas”, pontuou.
O presidente petista emendou afirmando que tem uma causa de “brigar de forma desaforada” para que “a gente consiga acabar com a dificuldade no planeta Terra”.
“Essa é a minha briga. E essa briga vai fazer parte do meu discurso na ONU”, completou.
Evangélicos declaram apoio parcial a Lula
No final do mês de agosto, a Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito divulgou uma carta aberta declarando apoio à reeleição de Lula. A entidade alegou que o petista estaria alinhado a valores cristãos e representaria uma alternativa ao projeto político associado a Flávio Bolsonaro (PL-RJ), classificado como de “autoritarismo” e “benefícios dos mais ricos”.
“Não podemos normalizar forças políticas que atacam as instituições, questionam o resultado das urnas, estimulam a violência e ameaçam os direitos fundamentais. A Bíblia nos ensina que ‘Deus não é Deus de desordem, mas de paz’”, disse a carta.
Apesar do apoio, a entidade ressaltou que não significa um alinhamento automático com o governo ou com o PT. Segundo o grupo, a manifestação “não retira da Frente sua autonomia” nem sua “capacidade de diálogo”.
Isso, porquê, o governo costuma entrar em conflito com a denominação religiosa em temas considerados mais progressistas e de esquerda, como a descriminalização do aborto, discussões sobre relações homoafetivas e agendas identitárias. Para a maioria dos fiéis e pastores conservadores, essas posições atingem diretamente os valores tradicionais de defesa da família.

















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