O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participa nesta quarta-feira (16) de um encontro com pastores dos Estados Unidos e do Brasil integrantes da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, grupo que declarou apoio à sua reeleição. A reunião ocorre em meio à estratégia do petista de ampliar a aproximação com o eleitorado evangélico, segmento no qual pesquisas frequentemente apontam vantagem de Flávio Bolsonaro (PL).
A Frente reúne pastores e teólogos e divulgou, no fim de agosto, uma carta aberta defendendo a permanência de Lula no governo. Segundo o documento, a reeleição do presidente estaria alinhada a valores cristãos e representaria uma alternativa ao projeto político associado ao candidato oponente, classificado como de “autoritarismo” e “benefícios dos mais ricos”.
“Não podemos normalizar forças políticas que atacam as instituições, questionam o resultado das urnas, estimulam a violência e ameaçam os direitos fundamentais. A Bíblia nos ensina que ‘Deus não é Deus de desordem, mas de paz’”, disse a carta.
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O encontro desta quarta-feira (16) será realizado às 11h no Palácio do Planalto e deve contar com a presença da primeira-dama Janja da Silva, que vem articulando a aproximação de Lula com os evangélicos. Ela lançou um comitê e passou a participar de ações com inspiração gospel voltadas ao segmento.
Outro ponto destacado pelos religiosos é a atuação de Lula em defesa da soberania brasileira diante do tarifaço imposto pelos Estados Unidos.
“A experiência recente demonstrou a importância da liderança do presidente na articulação da consciência democrática e na resistência às forças que ameaçaram romper definitivamente a ordem constitucional. E isso não apenas no âmbito nacional mas também na esfera global”, afirma a carta.
A Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito ressalta, porém, que o apoio eleitoral não significa alinhamento automático com o governo ou com o PT. Segundo o grupo, a manifestação “não retira da Frente sua autonomia” nem sua “capacidade de diálogo”.
Isso, porquê, o governo costuma entrar em conflito com a denominação religiosa em temas considerados mais progressistas e de esquerda, como a descriminalização do aborto, discussões sobre relações homoafetivas e agendas identitárias. Para a maioria dos fiéis e pastores conservadores, essas posições atingem diretamente os valores tradicionais de defesa da família.
Essa diferença de pensamentos levou os evangélicos a prestarem um maior apoio a candidatos ligados à direita e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que levanta estes temas como bandeiras.
Isso ficou mais evidente na eleição de 2022 e fez a campanha petista buscar, desde então, ajustar sua comunicação e incorporar temas ligados à família e a valores considerados relevantes para esse público.

















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