
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, afirmou neste sábado (19), durante agenda de campanha em Florianópolis (SC), que os integrantes do agronegócio brasileiro deveriam “se ajoelhar” diante dele pelos recursos públicos que sua administração destinou ao setor.
A declaração foi feita em palanque ao lado de aliados políticos locais em um dos estados com maior presença eleitoral e econômica do setor agropecuário e com forte histórico de votação conservadora.
No comício realizado na capital catarinense, Lula chamou ao microfone o candidato ao governo estadual pelo PSB, Gelson Merísio, e sugeriu que ele promovesse uma reunião com lideranças do agronegócio de Santa Catarina para questionar as razões da resistência do setor ao seu governo. O presidente sugeriu que, se o encontro ocorresse, os produtores deveriam aproveitar a oportunidade para agradecê-lo de joelhos.
“Por que eles não gostam de nós? Porque o problema contra nós, acho que é uma questão de pele, porque sou nordestino ou porque eu sou pobre. Porque se dependesse de dinheiro do governo, eles tinham que não só votar, mas se ajoelhar para mim, porque nunca houve tanto dinheiro para a agricultura como agora”, disparou o petista.
Críticas a produtores e menção à prisão de Bolsonaro
Ao tentar justificar sua posição perante o eleitorado catarinense, o presidente Lula relacionou o aporte financeiro federal a aberturas de mercados externos.
“São 118 mercados que o Lulinha, que eles não gostam, abriu para eles venderem os produtos deles”, disse.
Em seguida, o petista questionou a adesão do setor ao campo político adversário: “Por que eles são bolsonaristas? Porque não pode ser pela educação, pela saúde”.
Lula também desafiou o adversário, Flávio Bolsonaro (PL), dizendo que sua vitória será a garantia do cumprimento de pena do ex-presidente e pai de Flávio, Jair Bolsonaro (PL).
“A ideia do outro [Flávio Bolsonaro] é: ‘Ai, eu quero ganhar as eleições para tirar o meu pai da cadeia’, e eu quero ganhar para manter ele na cadeia”, desafiou.
O palanque petista em Florianópolis contou ainda com a participação da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, dos candidatos ao Senado por Santa Catarina Afrânio Boppré (PSOL) e Décio Lima (PT), e de Angela Albino (PDT), que integra a chapa de Gelson Merisio (PSB) como candidata a vice-governadora.
Historicamente, o eleitorado de Santa Catarina tem demonstrado ampla preferência pelo campo conservador e de oposição ao petismo. Em 2022, Jair Bolsonaro (PL) venceu com quase 70% dos votos válidos no estado, cenário que a campanha de Lula tenta mitigar ao associar medidas de custeio econômico ao voto de produtores rurais.
Flávio Bolsonaro defende catarinenses em Joinville e exalta prosperidade do estado
Também cumprindo roteiro eleitoral em território catarinense neste sábado (19), o senador e candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, discursou na cidade de Joinville, no norte de Santa Catarina.
O parlamentar fez questão de elogiar o perfil produtivo da população local e rechaçou rotulações ideológicas dirigidas aos cidadãos do estado.
“O povo de Santa Catarina, muito longe de ser fascista, é um povo trabalhador, produtivo e que tem a mentalidade de correr atrás pelos seus méritos”, disse.
Flávio ressaltou ainda que o estado é um exemplo de pujança econômica e legalidade: “Santa Catarina não é um estado de fascistas, é um estado que prospera, onde a lei funciona e tem estrutura para escoar sua produção”.
O presidenciável usou a própria cidade de Joinville como modelo de eficiência, argumentando que a solidez dos índices econômicos do município é consequência direta do distanciamento das gestões da esquerda. Segundo ele, os bons resultados refletem o fato de a localidade “nunca ter sido governada pelo PT”.
Flávio Bolsonaro também reforçou sua aliança com o atual governador de Santa Catarina e candidato à reeleição, Jorginho Mello (PL). O senador prometeu estabelecer um plano estreito de cooperação institucional e atração de investimentos caso vença a corrida ao Palácio do Planalto.
“A gente tem um monte de possibilidade de concessões e parcerias com o governo do estado. Santa Catarina tem muito a inspirar o Brasil inteiro e eu quero estar aqui mais próximo do que nunca do governo”, concluiu.

















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