A poucos dias do primeiro turno da eleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarcou em Nova York para a última investida para explorar eleitoralmente a conturbada relação com Donald Trump. O petista abre nesta terça-feira (22) a Assembleia Geral das Nações Unidas, logo antes do colega americano. Essa pode ser também sua despedida da cerimônia.

Lula avisou antes de viajar que vai aproveitar a proximidade protocolar para avisar pessoalmente a Trump que não aceitará ingerência dele na eleição brasileira. Não há encontro bilateral confirmado, mas os dois estarão no mesmo ambiente e poderão repetir o contato informal do ano passado. Para o brasileiro, a distensão poderá ser prova de diálogo com Washington.

A relação entre Lula e Trump atravessou meses de fortes atritos. O Palácio do Planalto confrontou a Casa Branca em temas comerciais, geopolíticos, partidários e institucionais, enquanto Lula alternou críticas públicas ao presidente americano com declarações de que preserva relação pessoal capaz de manter abertos todos os canais diplomáticos de negociação.

A história começou justamente na sede das Nações Unidas, em setembro de 2025. Trump disse ter havido uma “química” entre ambos após breve contato. No mês seguinte, se encontraram na Malásia e, em maio deste ano, tornaram a conversar em Washington, sem, contudo, encerrar divergências. Com breve pausa, o tarifaço americano contra o país voltou um ano depois.