O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes defendeu que a Corte não avance no julgamento de dois processos ligados à crise envolvendo o Banco Master antes da conclusão de um levantamento para identificar magistrados sobre os quais existam indícios de recebimento indevido de valores relacionados ao banco.

O decano formalizou nesta segunda-feira (28) a questão de ordem que já havia apresentado na sessão do dia 15 de setembro de 2026. Os apontamentos foram dirigidos ao decano pelo ministro Flávio Dino, uma vez que, em sua visão, tanto o presidente, Edson Fachin, quanto o vice-presidente, Alexandre de Moraes, não poderiam ser os destinatários, por serem partes interessadas.

Gilmar alega que há um “inequívoco viés político-eleitoral” na atuação de Mendonça. Ele argumenta que não haveria como o relator do caso Master não saber que as diligências determinadas atingiriam Moraes, uma vez que já havia vazamentos na imprensa nesse sentido.

“E, no entanto, apesar de todas essas suspeitas já estarem postas desde o início de março, o relator aguardou a chegada do período eleitoral para determinar a produção do relatório que muito provavelmente implicaria exatamente quem ele buscava implicar. Mais grave do que isso: antes que a questão fosse efetivamente submetida ao Plenário, levantou o sigilo do relatório, a fim de constranger qualquer posição contrária à sua atuação”, completa.