O ambiente de “vale-tudo processual” cada vez mais visível no Supremo Tribunal Federal (STF) é resultado da flexibilização das regras processuais, prática consolidada pela própria Corte ao longo dos anos. Esse grave fenômeno, que viola direitos estabelecidos pela própria Constituição, tem sido utilizado para justificar abusos contra políticos, autoridades e cidadãos e agora passa a alcançar a própria cúpula do Judiciário.

As decisões monocráticas, que ampliaram significativamente o poder individual de integrantes da Corte, se tornaram um dos principais instrumentos desses embates. Antes utilizadas principalmente para intervir em questões externas, passaram a ser empregadas para suspender, rever ou neutralizar atos praticados pelos próprios colegas.

Na noite de segunda-feira (28), o ministro Luiz Fux suspendeu uma decisão de Flávio Dino. A medida de Dino, publicada no domingo anterior (27), havia derrubado uma decisão de André Mendonça no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) relacionada a conteúdos sobre a falsa alegação de que Flávio Bolsonaro pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.

A escalada não foi pontual. Poucos dias antes, André Mendonça havia determinado, em decisão individual no STF, o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Em outra ação, sob sua relatoria, Flávio Dino restabeleceu Andrei ao cargo também por meio de decisão monocrática. O impasse só foi interrompido quando o presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu as duas decisões.